A funcionária da Inspeção-geral de Finanças apanhada em 2015 na investigação Swissleaks, foi reconduzida no cargo e continua a ocupar funções de topo. Segundo o jornal Público, Filomena Martinho Bacelar tem hoje responsabilidades no controlo do setor empresarial do Estado e das parcerias público-privadas (PPP).

Quer isto dizer que a inspetora, juntamente com outros chefes de equipa, controla a transparência na gestão das empresas públicas, a boa execução financeira das PPP e os pagamentos às empresas que prestam serviços ao Estado.

Em resposta ao jornal, o Conselho de Inspeção da Inspeção-geral de Finanças alega que não há qualquer impedimento legal para que a funcionária continue em funções e que o facto de ter liderado vários projetos "atesta o reconhecimento da sua competência profissional". Mais do que isso, diz que a decisão de não afastar Filomena Bacelar teve em conta "o princípio constitucional de presunção de inocência, bem como os princípios éticos de independência, objetividade e transparência".

Veja também:

Recorde-se que, em 2015, a TVI revelou que Filomena Bacelar surgia nas listas do Swissleaks, como cliente da filial suíça do banco HSBC. A funcionária pública estava ligada uma empresa offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, e a uma conta bancária com mais de 400 mil dólares. Vários familiares tinham também conta no mesmo banco, num total de quase dois milhões e meio de dólares.

Em 2015 a filial suíça do HSBC esteve no centro de um mega escândalo de fraude fiscal e lavagem de dinheiro, e desde então todos os portugueses com conta no banco estão no radar do fisco. As investigações continuam no terreno.