O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) solicitou esta sexta-feira que no Orçamento do Estado para 2018 (OE2018) estejam consagradas medidas para fazer face ao período de “seca fora do vulgar”.

É fundamental que o Governo olhe também para as consequências dessa seca e sejam criadas medidas que permitam enfrentá-la”, dotando o setor agrícola de “instrumentos financeiros que possam levar o setor a cumprir a sua missão”, afirmou Eduardo Oliveira e Sousa, após ser recebido pelo Presidente da República, no Palácio de Belém, em Lisboa.

O president da CAP indicou ainda que as consequências da seca são diversas, e relacionam-se com ocorrências como os fogos florestais, mas também com a redução da capacidade produtiva, com implicações na criação do gado, com a diminuição de água no regadio e ainda com a antecipação das colheitas.

Temos de criar quase um ministério contra a seca para sabermos como vamos lidar com esta ausência de queda pluviométrica, com calor de 30 e tal graus em outubro, com oito meses sem chuva… É tudo novo”, elencou.

"Incapacidade financeira"

Eduardo Oliveira e Sousa precisou também que a comparticipação nacional no apoio aos agricultores é de 16%, defendendo que “era bom que fosse 20% ou 25% no horizonte de alguns anos”, criticando a falta de dinheiro para aplicar pelo Governo.

A CAP manifestou ao senhor Presidente [da República] uma enorme apreensão face à incapacidade financeira que o Governo tem demonstrado no sentido de reforçar a componente nacional no âmbito das ajudas comunitárias diretamente relacionadas com o investimento na agricultura”, disse o responsável, que falava aos jornalistas no Palácio de Belém depois de ter sido recebido pelo chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.ositivo nos últimos anos, [mas] se não houver um reforço das verbas que complementam as ajudas que vêm da União Europeia o setor sofrerá com essa diminuição”, alertou.