O presidente do BCP defendeu esta terça-feira a necessidade de um «grande compromisso político» em Portugal sobre as «grandes linhas» do Orçamento do Estado para 2014, que são «o défice controlado e uma dívida sustentável», opinião partilhada pelo presidente da APB.

«Sei que é difícil, mas temos mesmo que nos entender», afirmou o presidente do BCP, Nuno Amado. «Se na Alemanha, se entendem, nós, que estamos numa situação muito mais difícil, temos mesmo que nos entender», reforçou, na I Conferência Antena 1/Económico, subordinada ao tema «O Estado e a Economia - Um Orçamento Pós-Troika», em Lisboa.

A mesma opinião foi partilhada pelo presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Faria de Oliveira, que sublinhou a necessidade dos agentes políticos atuarem sob «o paradigma¿ de uma ¿ética da responsabilidade».

Esta necessidade de entendimento, de acordo com Nuno Amado, deve ser estendida aos restantes órgãos de soberania em relação à redução da despesa do Estado. «Tem que haver, ao nível dos organismos de soberania, algum pré-acordo sobre como se reduz as despesas do Estado», afirmou o banqueiro, incluindo neste entendimento o Tribunal Constitucional.

«Sem isso, andamos a navegar sem saber qual o porto de destino», disse.

Os mercados externos, sublinhou ainda o banqueiro, «reconhece que o país fez as reformas, mas estão atentos ao risco político de não haver um consenso para o caminho que temos que trilhar», disse Nuno Amado, oferecendo o mote a Faria de Oliveira para defender que Portugal «deve fazer tudo para voltar a ganhar a credibilidade que tinha junto dos mercados internacionais em abril e maio deste ano» e que perdeu «inexplicavelmente», em «consequência da crise política».

«Banca já contribui muito para a consolidação»

O presidente do BCP aproveitou ainda a ocasião para criticar as medidas do Orçamento do Estado, especialmente a taxa sobre o setor financeiro, que será agravada em 2014, considerando que «a banca já participa em excesso no esforço de consolidação orçamental».

«Mas não faço comentários, porque todos estamos a passar dificuldades, todos temos que dar o nosso contributo», acrescentou, exemplificando com o próprio BCP que, «este ano vai contribuir com 300 milhões de euros, ou um pouco mais, para o Orçamento do Estado, entre os fundos do imposto extraordinário sobre a banca, a remuneração das obrigações convertíveis, ou comissões sobre determinado tipo de investimentos».

«Num ano de ciclo recessivo, com os resultados negativos no setor, o nível de imparidades que temos de fazer e o baixo nível de taxas de juro, é um contributo que acho patriótico», acrescentou.

Mas, avisou, quanto mais dinheiro se exige à banca em impostos, menos crédito fica disponível para a economia. «Como o capital é mais baixo e tem um múltiplo de dez, as contas são relativamente fáceis. Multiplique-se por 10 o que os bancos, mantendo-se tudo igual, e para conservarem os mesmos rácios de capital, entregam pelo imposto extraordinário, para se apurar o que deixariam de poder emprestar. Portanto, se fosse 500 milhões em imposto, o efeito, seria 5 mil milhões a menos de crédito», explicou Nuno Amado.