A dívida pública espanhola deverá alcançar os 99,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, segundo os documentos do Orçamento do Estado tornados hoje públicos depois de serem entregues, para tramitação, no Congresso de Deputados.

Os documentos referem que a soma da necessidade de financiamento líquido e das amortizações levam à necessidade de emissões brutas do Tesouro Público no valor de 243.888 milhões de euros no próximo ano.

Números que ajudarão a elevar a dívida pública para quase 100% do PIB ¿ foi de 85,9% em 2012 e deverá ser este ano de 94,2%, segundo as previsões do Governo, citadas pela Lusa.

A queda do risco da dívida espanhola ¿ medido pelo diferencial entre os títulos espanhóis e alemães a 10 anos ¿ permitirá, segundo as contas do Governo, que em 2014 se paguem 36.590 milhões de euros de juros de dívida (este ano estavam previstos 38.590 milhões).

A previsão do Governo é de que o défice seja de 5,8% em 2014. Na tentativa de reduzir o défice o Governo estabeleceu despesas máximas para os ministérios de 133.259 milhões de euros (mais 2,7%).

No que toca a impostos, o Governo confirmou já que em 2013 não se conseguirão as receitas previstas, de 177.860 milhões de euros, sendo que em 2014 as receitas tributárias previstas são de 179.750 milhões de euros.

O projeto-lei do Orçamento do Estado (OE) revela que o investimento público continuará a cair, descendo 7% (12.094 milhões de euros), e que as transferências do Governo central para os governos regionais também descerão 13,6%.

A pressão do desemprego e das pensões continua a fazer sentir-se no OE, com o peso do gasto social no total a aumentar de 51,8% este ano para 52,6% no próximo ano, em parte devido ao aumento de 10,2% nos gastos em desemprego e à maior despesa em pensões.

O Governo prevê que as pensões aumentem 0,25% em 2014, nível mínimo fixado com o novo projeto de reforma das pensões, que está em trâmite parlamentar e deverá entrar em vigor a 01 de janeiro.

Ainda assim, o gasto total em pensões aumentará 5,9%.

Entre outros dados, o OE prevê uma redução de 1,89% no orçamento para a Casa Real, que será de 7,78 milhões de euros, a que somam gastos associados à monarquia mas que saem de outras pastas, como ministérios ou entidades públicas.