A Moody's defende que há um “risco elevado” de o Governo falhar a meta de défice prevista no Orçamento do Estado para 2016. Em declarações à TVI, a vice-presidente sénior da instituição sublinha que o documento tem previsões demasiado otimistas e metas muito difíceis de atingir.

"Se a meta é atingir os 2,2%, então sim, considero que há um risco elevado de ela não ser atingida. Nós acreditamos que o défice deve ficar perto dos 3% do PIB este ano, em vez dos 2,2% previstos pelo Governo".

Kathrin Muehlbronner, que está esta quarta-feira em Lisboa para um encontro com investidores e analistas, explica porquê: 

"Nós somos mais conservadores, ou mais pessimistas no que toca à previsão de crescimento. Apontamos para uma taxa de 1,5 ou 1,6%, ao passo que o Governo espera um crescimento de 1,8%. Essa também é uma das razões porque a nossa previsão de défice é mais elevada".

 

Mas não é a única:

"Há metas que vão ser muito difíceis de atingir. Concordamos com as vozes mais conservadoras quando dizem que é incerto que o Governo consiga cumprir todas as medidas que estão no Orçamento... há sempre muita incerteza no que respeita às poupanças com a eficiência administrativa, por exemplo".

 

Para Kathrin Muehlbronner, a derrapagem é quase certa, e a agência acredita que medidas adicionais de consolidação orçamental serão necessárias durante o ano. Medidas que podem não agradar aos partidos da esquerda, e aí, pode voltar o fantasma da crise política. "Essa possibilidade é claramente um fator de risco", resume.

Ainda assim, a Moody’s diz que nem tudo é mau: “Esta proposta é uma melhoria face ao esboço inicial, concretiza muito mais medidas, e é muito positivo que o Governo tenha escutado e respeitado os pedidos de Bruxelas”.

No médio prazo, a agência mostra-se sobretudo preocupada com a fraca perspetiva de crescimento da economia nacional, e com a elevada dívida pública, o que vai continuar a exigir consolidação orçamental por vários anos.

A Moody's revê a notação financeira da dívida portuguesa em maio, mas a vice-presidente avisa desde já que a perspetiva da mesma - que continua a ser classificada como lixo financeiro - não deve melhorar tão cedo.