As medidas adotadas por vários países europeus para consolidarem as suas finanças públicas começam a dar resultados, segundo um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre a zona euro.

O relatório assinala, no entanto, que a recuperação económica tem sido lenta e os países enfrentam grandes desafios. O desemprego continua alto e em alguns países o desemprego jovem ultrapassou os 30%.

«A resolução dos problemas orçamentais avançou bastante, mas a dívida pública de vários países ainda é bastante elevada», apontou Angel Gurria, secretário-geral da OCDE. «É indispensável continuar esse processo, sem, todavia, perder de vista a necessidade de apoiar um crescimento inclusivo e a criação de emprego», acrescentou.

As reformas que visam reforçar o setor bancário e consolidar o mercado único são essenciais, afirmou o responsável da OCDE, numa conferência de imprensa em Bruxelas com o vice-presidente da Comissão Europeia Joaquín Almunia destinada a apresentar dois relatórios, um sobre a zona euro e outro sobre a União Europeia.

Segundo este último relatório, países como Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha progrediram bastante quanto às reformas estruturais necessárias à modernização das suas economias.

Mas, são ainda indispensáveis medidas mais aprofundadas na Europa, defende o documento.

Para a OCDE, é importante privilegiar medidas de redução do défice que tenham impacto reduzido no crescimento, como é o caso de um aumento da idade da reforma.

Sobre a inflação na zona euro, que foi em março de 0,5%, muito abaixo do objetivo do Banco Central Europeu (BCE), que pretende uma inflação a rondar os 2%, Angel Gurria disse que não está muito preocupado com um cenário de deflação.

«Afasto completamente essa possibilidade? Não, mas não é algo iminente», afirmou.

Almunia disse que partilha da opinião da diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, que afirmou na quarta-feira que «um período prolongado de inflação baixa pode retardar a procura e a produção e afetar o crescimento e a criação de emprego».

A OCDE prevê que a inflação sofra poucas alterações em 2014 e aumente ligeiramente em 2015 e afirma que os riscos de deflação «podem intensificar-se se a atividade económica continuar fraca» na zona euro.