O secretário-geral adjunto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Pier Carlo Padoan, afirmou esta terça-feira no parlamento que Portugal precisa de «melhorar a qualidade da função pública» e ter uma força de trabalho «motivada» no Estado.

O também economista-chefe da OCDE foi hoje ouvido pelos deputados da comissão parlamentar do Orçamento, Finanças e Administração Público sobre o relatório Portugal - Reforming the State to Promote Growth (Portugal ¿ Reformar o Estado para Promover o Crescimento), pedido à Organização pelo Governo e divulgado em maio.

Aos deputados, o economista italiano afirmou que, no que se refere ao mercado de trabalho, «mais tem que ser feito» em Portugal, referindo que «há ainda um dualismo muito forte», o que faz com que «a economia trabalhe menos bem».

Para Pier Carlo Padoan, «é preciso melhorar a mão-de-obra do Estado» e «há espaço para melhorar a gestão dos recursos humanos no Estado».

No entanto, alertou, «ter um Estado mais eficiente é essencial para fazer com que as reformas funcionem».

Padoan referiu ainda que «há um ajustamento estrutural muito profundo» em Portugal, que «está a começar a dar frutos» tanto a nível da balança corrente como no domínio orçamental.

Depois da reunião com os deputados, o secretário-geral da OCDE vai reunir-se com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e com a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, segundo adiantou o deputado socialista Eduardo Cabrita, que preside à comissão parlamentar do Orçamento, Finanças e Administração Pública.

No relatório ¿Portugal - Reforming the State to Promote Growth¿ (Portugal ¿ Reformar o Estado para Promover o Crescimento, de maio, a OCDE aconselhou Portugal a manter os objetivos de consolidação orçamental, mas enquanto o crescimento económico não se desviar do valor previsto.

A OCDE defendeu que Portugal precisa de uma estratégia para aumentar a produtividade e retomar a competitividade através da adoção de reformas estruturais de longo prazo para que a consolidação orçamental se torne permanente no tempo.

A organização lembrou o «ambicioso» plano de reformas que tem vindo a ser adotado em Portugal, mas que os custos sociais e económicos desse ajustamento também têm sido elevados.