O Presidente dos EUA, Barack Obama, avisou ontem que o encerramento iminente de parte substancial do Governo Federal iria ter reais e dramáticas consequências económicas para milhares de norte-americanos.

A apenas algumas horas de o Governo Federal ficar sem dinheiro, Obama acusou «a ala de extrema-direita» do Partido Republicano de procurar sequestrar o orçamento para conseguir impedir a concretização da sua emblemática reforma do acesso aos cuidados de saúde.

Excluindo qualquer cedência a «chantagens», Obama, que falava na Casa Branca, sublinhou que «o tempo escasseia» para chegar a um acordo, a menos de sete horas do fim do ano orçamental [5:00, hora de Lisboa, de 01 de outubro].

Citado pela Lusa, garantiu ainda que a sua reforma da saúde começaria a ser aplicada a partir de terça-feira, como previsto, fizessem os seus adversários o que fizessem.

Um encerramento parcial do Estado parcial, que vai ocorrer na ausência de um acordo in extremis, «vai ter consequências económicas muito reais para as pessoas, nas suas vidas, que vão acontecer imediatamente», pormenorizou Obama, depois de ter mencionado os «mais de dois milhões de empregados civis» e os «1,4 milhões de militares no ativo».

Obama lembrou que «centenas de milhares destes funcionários vão permanecer nos seus postos sem serem pagos e centenas de milhares de outros serão imediatamente colocados em casa sem receber».

Acrescentou que esta paralisia «vai prejudicar a economia [norte-americana] no momento em que esta está a recuperar».

O Senado, dominado pelos democratas, de Obama, e a Câmara dos Representantes, onde predominam os republicanos, não chegaram a acordo sobre uma lei orçamental. Os republicanos insistem na supressão do financiamento da reforma do seguro de saúde no seu texto, o que é recusado tanto pelo Senado como pelo Presidente.

«Uma parte de um partido numa câmara do Congresso não vai conseguir encerrar o funcionamento do Estado para contestar o resultado de uma eleição», disse Obama, reeleito em novembro de 2012, durante uma campanha em que o seu adversário republicano tinha prometido anular a reforma do seguro de saúde promulgada em 2010.

A aplicação desta reforma entra na terça-feira numa etapa crucial, com a possibilidade aberta a mais de 30 milhões de norte-americanos desprovidos de seguro de saúde de se inscreverem para poder beneficiar de uma mutualização dos riscos.

«O tempo escasseia. A minha esperança é que no último minuto, mais uma vez, o Congresso, em particular, a Câmara dos Representantes, escolha agir corretamente», acrescentou Obama.

O Presidente deplorou ainda que os republicanos da Câmara tenham ficado bloqueados por «promessas impossíveis de realizar feitas à ala de extrema-direita do seu partido».

Depois de afirmar que os norte-americanos enviaram os seus representantes para governar, Obama avisou os eleitos republicanos: «Vocês não vão conseguir um resgate [de sequestro] a pretexto de que fazem o vosso trabalho».

Sobre a pretensão republicana de inviabilizar a reforma do seguro de saúde, retirando-lhe o financiamento, Obama garantiu: «que isto fique bem claro (...) a reforma do seguro de saúde vai continuar, decida o Congresso o que decidir», e mesmo no caso de encerramento dos serviços federais.