O presidente do BCP, Nuno Amado, confirmou esta sexta-feira que o banco não fez uma oferta pelo Novo Banco, mas que apresentou uma carta de interesse, não explicando se está interessado na instituição no seu todo ou apenas em alguns ativos e passivos.

No Novo Banco fizemos uma carta de interesse com determinado perfil. Temos acordo de confidencialidade, não podemos fugir desse acordo de confidencialidade", afirmou Nuno Amado em conferência de imprensa, esta sexta-feira.

O Novo Banco está em processo de venda, tendo os interessados em adquirir a instituição apresentado propostas até final do passado mês de junho. Segundo divulgou então o Banco de Portugal, foram quatro as ofertas recebidas, não tendo contudo relevado de quem se tratam.

A imprensa tem vindo a noticiar que na corrida estão os fundos Apollo/Centerbridge e Lone Star e os bancos BPI e BCP, sendo que este apresentou não uma oferta mas apenas uma carta a demonstrar interesse.

O presidente do Santander Totta, Vieira Monteiro, confirmou quinta-feira que não apresentou uma proposta pelo Novo Banco, não adiantando porém os motivos pelos quais o banco desistiu de uma eventual compra.

Já o presidente do BPI, Fernando Ulrich, evitou esta semana quaisquer questões sobre a compra refugiando-se na confidencialidade.

O Diário de Notícias noticiou quarta-feira que as negociações com os interessados em comprar o Novo Banco irão derrapar para setembro "devido à complexidade da escolha" entre propostas que têm "naturezas muito diferentes".

O Banco de Portugal tinha como objetivo concretizar a venda do Novo Banco este verão, depois de o processo ter sido suspenso em setembro do ano passado, sendo que a Comissão Europeia deu mais um ano para o processo ser concluído, até agosto de 2017.

Em julho, foi polémica a afirmação que constava de uma carta enviada pelo Governo para Bruxelas em que aquele referia que "não considera a possibilidade" de realizar uma nova ajuda estatal ao Novo Banco, acrescentando que, se o banco não for vendido, entra num processo ordeiro de liquidação.

Segundo a diretiva de resolução e recuperação bancária, que regula os resgates aos bancos na Europa, um banco de transição, como é o Novo Banco (que ficou com os ativos e passivos considerados não problemáticos do BES), "deverá ser administrado de uma forma que viabilize a continuidade das suas atividades e voltar a ser colocado no mercado quando as condições o permitirem e dentro do prazo previsto na presente diretiva, ou ser liquidado, se não for viável".

O Novo Banco teve prejuízos de 980,6 milhões de euros em 2015, justificando mais de metade deste resultado negativo ainda com o 'legado' do BES.