O presidente do Millennium BCP, Nuno Amado, questionou esta segunda-feira as razões que levaram à venda apressada do Banif, considerando que as mesmas têm que ser apuradas, tendo elogiado o negócio feito pelo Santander Totta.

“O tema é que com o tempo que houve se chegou onde chegou. Não deixa de ser um custo significativo [para o Fundo de Resolução e para os contribuintes]. Porque nestas condições? Porquê à pressa”, questionou.

Nuno Amado ilustrou com o exemplo de “quem tem uma casa para vender à pressa” e acaba por vender sempre a um preço inferior do que se tiver tempo para concluir a operação.

“Porque não correu melhor? Porque não teve um custo bem diferente? Aí tenho alguma surpresa. Está a ser analisado e tem que haver resposta para isso”, reforçou.


Questionado sobre o eventual interesse do BCP na aquisição do Banif, Nuno Amado apontou para as restrições impostas por Bruxelas devido às ajudas estatais recebidas em 2012, tal como tinha dito relativamente ao novo processo de venda do Novo Banco, recentemente relançado pelo Banco de Portugal.


“Sentimo-nos infelizes por não podermos concorrer. Foi uma pena, mas não podíamos”, afirmou, esclarecendo que o BCP nem sequer foi convidado pelo Banco de Portugal para estudar essa possibilidade.


E acrescentou: “Quando entrámos num processo destes [recurso a auxílio do Estado], sabíamos que havia coisa que tínhamos de cumprir”.

Nuno Amado apontou ainda para os elevados custos relacionados com a resolução do Banif.

“É muito dinheiro em qualquer lado do mundo e em Portugal ainda mais”, considerou.

Já sobre a venda do Banif ao Santander Totta feita no âmbito da medida de resolução, o gestor admitiu que considera que o banco de capital espanhol fez um bom negócio.


“A consolidação [da banca em Portugal] faz sentido? Faz sentido. O Santander fez uma boa operação e vai num sentido certo de alguma consolidação”, assinalou.