O presidente do Banco Comercial Português (BCP), Nuno Amado, destacou a forte redução da dependência do apoio estatal, que baixou de 9 mil milhões de euros há dois anos para 750 milhões de euros em setembro último.

«Quero apontar para a importância da redução do apoio do Estado. Há dois anos tínhamos nove mil milhões de euros - três mil milhões de euros em obrigações convertíveis em capital (CoCo) e seis mil milhões de euros em garantias sobre dívida emitida - e hoje temos 750 milhões de euros», salientou o gestor.

Nuno Amado falava durante a apresentação das contas do BCP relativas aos primeiros nove meses do ano, tendo destacado a «enorme redução» do prejuízo do banco em termos homólogos.

O maior banco privado português reduziu o prejuízo de quase 600 milhões de euros para 98 milhões de euros entre janeiro e setembro.

«Há uma consistente tendência positiva, trimestre a trimestre, e estamos esperançados que no final deste ano possamos atingir o
breakeven point [ponto de equilíbrio] para podermos passar aos lucros a partir do próximo ano», assinalou o líder do BCP. 

BCP cortou 318 postos de trabalho e fechou 50 balcões até setembro

O Banco Comercial Português (BCP) reduziu o quadro de pessoal em 318 trabalhadores entre janeiro e setembro e encerrou 50 agências durante o mesmo período, continuando a caminhar para os objetivos definidos com Bruxelas, revelou também presidente Nuno Amado.

O objetivo contemplado no plano de reestruturação aprovado pela Direção Geral da Concorrência da Comissão Europeia em termos de pessoal é atingir uma base de 7.500 funcionários até 2015, tendo o BCP fechado o terceiro trimestre do ano com 8.266 colaboradores.

Ou seja, vão ter que sair da instituição mais 766 trabalhadores até dezembro do próximo ano.

«O processo está a caminhar. Há um número alargado de propostas dos próprios colaboradores. Vamos aceitar muitos desses pedidos, mas não podemos aceitar todos, dependendo das funções exercidas», revelou o líder do BCP.

E acrescentou: «Depois, vamos fazer um processo adicional de reformas antecipadas e de rescisões por mútuo acordo».

Quanto à rede doméstica, além das 50 agências encerradas entre o início do ano e o final de setembro, somam-se mais 20 balcões que vão fechar até ao final do ano. Neste caso, a meta do BCP é contar com 700 agências em dezembro.

«Com 700 sucursais se cobre muito bem o país», assinalou Nuno Amado, realçando que o BCP continua a deter a maior rede de balcões em Portugal entre os bancos privados.

Além da questão numérica relativa ao quadro de pessoal e à rede de agências, o plano de reestruturação contempla também a redução dos gastos com pessoal, para a qual o corte salarial médio de 6% acordado com os sindicatos é fulcral.

«A redução salarial de 6% temporária que foi acordada com os sindicatos para defender o emprego, em média, só teve efeito neste terceiro trimestre e, portanto, vai ter efeito na comparação entre 2014 e 2015», afirmou Nuno Amado, durante a conferência de imprensa de apresentação das contas dos primeiros nove meses do ano, em Lisboa.

«No ano que vem, como são 12 meses em vez de 6 meses de redução salarial, vai ter mais impacto», sublinhou o gestor.