O aumento de capital do Banco Comercial Português (BCP) em aproximadamente 2,25 mil milhões euros foi totalmente subscrito, anunciou esta terça-feira ao mercado o banco liderado por Nuno Amado.

Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o BCP informou que «a procura total registada no presente aumento de capital representou cerca de 125,6% do montante da oferta».

O banco liderado por Nuno Amado adiantou que «foi totalmente subscrito o aumento de capital social, compreendendo a emissão de 34.487.542.355 ações ordinárias, escriturais e nominativas, sem valor nominal, com o valor de emissão e preço de subscrição unitário de 0,065 euros, que foram oferecidas à subscrição dos acionistas do banco».

No exercício de direitos de subscrição, foram objeto de subscrição ações representativas de cerca de 98,8% do total de ações a emitir no âmbito da oferta, tendo ficado disponíveis para rateio 405.331.047 ações.

«Os pedidos suplementares de ações sujeitos a rateio totalizaram 9.243.741.767 ações, excedendo cerca de 21,8 vezes a quantidade disponível para o efeito», adiantou o banco no comunicado ao mercado.

A liquidação financeira das ações subscritas no exercício dos direitos de subscrição deverá ocorrer na quarta-feira e a liquidação financeira das ações atribuídas em rateio deverá ocorrer no dia seguinte.

A 24 de junho, o BCP anunciou o aumento do seu capital social em aproximadamente 2.250 milhões euros, através de uma Oferta Pública de Subscrição (OPS).

As receitas da OPS devem ser afetadas ao reembolso dos instrumentos de capital híbrido (CoCo bonds) subscritos pelo Estado no montante de 1.850 milhões euros, deixando 750 milhões euros por reembolsar, o que o BCP tenciona fazer até ao início de 2016, estando sujeito a aprovação regulatória.

Investidores confiam no projeto do BCP

A subscrição total do aumento de capital próximo de 2,25 mil milhões de euros do Banco Comercial Português (BCP), cujos resultados foram hoje divulgados, prova que os investidores confiam no plano de reestruturação do banco, segundo o presidente.

«Estamos muito satisfeitos com este voto de confiança dos acionistas e novos investidores no nosso projeto. Esta operação foi concluída num momento complexo e turbulento, mas os investidores mostraram confiança no nosso plano de reestruturação», realçou Nuno Amado, presidente executivo do BCP, numa nota enviada às redações.

A operação de reforço de capital do banco contou com uma procura de 2,73 mil milhões de euros, face à oferta de 2,25 mil milhões de euros (ou seja, 125,6% da oferta), fixando-se o nível de subscrição nos 98,8%, acima do último aumento de capital do BCP, realizado em outubro de 2012.

«Com uma procura assinalável, bastante acima da oferta, o desfecho deste aumento de capital é um momento de transformação para o Millennium bcp, e permite-nos acelerar o calendário para o reembolso do apoio do Estado, preparando-nos igualmente para prosseguir com o nosso objetivo principal: ajudar a economia a crescer, apoiando empresas e famílias nas geografias onde estamos presentes», assinalou o líder do banco.

E acrescentou: «Eu acredito que seremos capazes de reforçar o nosso lugar como principal banco privado português, assim como apostar de forma cada vez mais sustentada nas nossas operações internacionais 'core' [estratégicas], incluindo Angola, Moçambique e Polónia».

Estas declarações de Nuno Amado seguem-se à divulgação dos resultados do aumento de capital do BCP, que tinha sido anunciado há sensivelmente um mês.