A Associação Empresarial de Portugal apresenta na sexta-feira o projeto “Novo Rumo a Norte” que visa criar uma “rede colaborativa” entre as empresas da região, rentabilizando recursos e promovendo a coesão territorial através de uma plataforma 'online'.

“A rede assenta numa partilha de informação com as empresas, sustentando-se numa plataforma eletrónica em que começaremos a tratar as informações”, explicou à Lusa Paulo Nunes de Almeida, presidente da AEP.

Partindo de uma realidade em que “os principais índices estatísticos apontam que o Norte não converge” com a União Europeia ou com o próprio país, a AEP decidiu “dar o exemplo” e mostrar que as empresas e associações empresariais podem “ir mais longe” estando “articuladas”.

Com a finalidade de chegar a cerca de 10 mil empresas e empreendedores dos 86 concelhos da região, a associação decidiu criar uma “rede colaborativa” com “cada um dos atores das NUT III”, ou seja, juntando-se a outras entidades do movimento associativo regional com ligação ao tecido empresarial das oito sub-regiões do Norte

A rede irá incluir a AEP, promotora e coordenadora do projeto, e sete entidades regionais: Ceval (Confederação Empresarial do Alto Minho), Cedrac (Conselho Empresarial da Região do Ave e Cávado), AIMinho (Associação Industrial do Minho), ACISAT (Associação Empresarial do Alto Tâmega), CETS (Conselho Empresarial do Tâmega e Sousa), Nervir (Associação Empresarial de Vila Real) e Nerba (Associação Empresarial do Distrito de Bragança).

“Os parceiros falarão com as associações, chegando depois às empresas que terão acesso à plataforma eletrónica”, assinalou o responsável, lembrando como “no Norte existem empresas que, pela sua localização junto de centros urbanos têm um nível de informação que não é partilhado de igual forma na região”.

Em prol da coesão territorial nasce assim este “trabalho em rede, um sinal para o país de que este é um momento grave que exige medidas excecionais de cooperação”, referiu Paulo Nunes de Almeida para quem o projeto pode e deve ser replicado no resto do país.

O projeto, candidato a fundos do Norte 2020, está orçado em cerca de 2,5 milhões de euros que incluem custos de recursos humanos, de divulgação, capacitação e da criação até ao final do ano da plataforma online onde em 2016 as empresas poderão procurar informações e pedir esclarecimentos.

“A ideia base do projeto é democratizar o acesso à informação com valor estratégico para os empreendedores da região, familiarizando-os com os mecanismos e os instrumentos de apoio a que se podem candidatar em matéria de investimento, capitalização, formação e capacitação, internacionalização, cooperação interempresarial, inovação, I&D, empreendedorismo e gestão competitiva, entre outras áreas”, refere comunicado hoje divulgado.

O documento acrescenta que “outra virtualidade do projeto tem a ver com a coesão territorial” uma vez que “diminuindo as diferenças no acesso à informação e aumentando o conhecimento dos diferentes instrumentos de apoio ao alcance dos agentes económicos, estão a esbater-se assimetrias e a contribuir para a melhoria dos indicadores socioeconómicos em toda a região Norte”.

A apresentação do projeto está marcada para as 15:00 de sexta-feira na AEP e contará com a participação de José Silva Peneda, ex-presidente do Conselho Económico e Social e adjunto do presidente da Comissão Europeia, e Emídio Gomes, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).