A proposta de Governo entregue pelo primeiro-ministro ao Presidente da República é para concretizar "um contrato de curtíssima duração", disse esta terça-feira o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos.

"É uma formalidade, uma formalidade para dar correspondência a um compromisso assumido pelo Presidente da República com o PSD e o CDS, para concretizar um contrato de curtíssima duração"


Arménio Carlos mostrou-se confiante que o Executivo vai ser derrubado no Parlamento. "Rudo indica terminará dentro de duas semanas quando for apresentado o programa de Governo na Assembleia da República", afirmou, citado pela Lusa, depois de uma reunião com o PCP.

Já a UGT, contactada telefonicamente, optou por remeter uma reação para mais tarde: “Aguardaremos a constituição do programa do Governo e das políticas que nele constarem. Relativamente à composição do Governo, não nos pronunciaremos”.
 

Patrões


Do lado dos patrões, o presidente da Confederação de Comércio e Serviços de Portugal recusou fazer “comentário político” sobre a constituição do Governo, manifestando “expetativa” sobre o que “aí vem” e disponibilidade para discutir com este ou outro Executivo, até um em gestão. 

“Não nos compete estar a discutir os governos. Não faz parte do nosso código, enquanto associação empresarial, entrar no debate político”, defendeu João Vieira Lopes.

João Vieira Lopes nota que “o núcleo essencial do Governo é o mesmo do anterior Governo”, considerando que “não deixa de ser curioso que haja um Ministério Modernização Administrativa já que ao longo destes anos não foi feito nada” no capítulo da reforma do Estado.

Já o presidente da Confederação do Turismo Português defendeu que devem ser feitos compromissos para “uma solução de governo estável”, que “não faça perigar” a permanência de Portugal na União Europeia e no euro.

Francisco Calheiros assinalou que os compromissos “devem ter como base primordial a defesa do posicionamento em questões que merecem apoio social com maioria qualificada”, como a “pertença à Europa e ao euro e a defesa de uma economia de mercado e das liberdades e do desenvolvimento económico com justiça social”.

Na sessão de encerramento do 27.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, o presidente CTP apontou também a necessidade de ser assegurado “um reforço do turismo” na estrutura do novo Governo, que “seja, efetivamente, uma voz com o peso político que o setor há muito exige”.

“A rentabilidade das empresas versus o número de encargos, a carga fiscal e custos de contexto deixam muito pouca margem de manobra para a sustentabilidade empresarial e para o necessário investimento. Se os números parecem fantásticos, a realidade não é bem assim”


O responsável considerou ainda ser necessária uma política laboral mais adaptada às especificidades do setor, menos burocracia para as empresas, e de mais celeridade na administração pública e a eliminação de taxas.