O presidente do Novo Banco disse esta quarta-feira que a instituição já resolveu mais de 75% das situações com clientes que se sentiam lesados pela resolução do BES, em agosto de 2014.

"Neste momento, em vez de olhar só para o [problema do] papel comercial, devemos pensar que em 21.500 situações fomos capaz resolver 16.500", afirmou Stock da Cunha, na apresentação dos resultados anuais de 2015, em que o banco teve prejuízos de 980,6 milhões de euros.

O presidente do Novo Banco fez questão de saudar por várias vezes o esforço dos trabalhadores por, em ano e meio desde a criação da instituição, terem conseguido resolver parte significativa dos problemas com clientes "herdados a 04 agosto de 2014", data do nascimento do Novo Banco após a resolução do BES.

"O que tínhamos eram 21.500 operações ou clientes com problemas em agosto de 2014 e neste momento temos menos de 5 mil situações com problemas", destacou.

Segundo Stock da Cunha, nas séries comerciais e operações sobre títulos, estão resolvidas cerca de 98% das operações, uma vez que 87% dos clientes chegaram a acordo e que os restantes não assinaram o acordo mas venderam obrigações ou comprometeram-se a não litigar.

Quanto a problemas na área de gestão de carteiras, referiu que foi resolvido 93% do montante em causa e que o "nível potencial de litigância na gestão de carteiras é zero".

No que respeita aos clientes emigrantes que também se dizem lesados com a resolução do BES, Stock da Cunha revelou que em 87% já resolveram a situação.

Em relação à questão específica dos clientes com papel comercial de empresas do Grupo Espírito Santo (GES) vendidas aos balcões do BES, o gestor afirmou que esse problema "ultrapassa completamente" a sua administração, mas que está disponível "para dar contributo" para ajudar na sua resolução.

O Novo Banco teve prejuízos de 980,6 milhões de euros em 2015. Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a instituição sublinha que o resultado do exercício é reflexo do elevado nível de provisionamento (essencialmente para crédito a clientes, títulos e imóveis), de 1.054,4 milhões e ainda da anulação da totalidade dos prejuízos fiscais reportáveis relativos ao ano de 2013 no valor de 160 milhões.

O presidente Stock da Cunha acredita que a instituição deverá ter lucros na sua atividade global em 2018, esperando, no entanto, que em 2017 já consiga resultados positivos na atividade que considera estratégica, nomeadamente a comercial.