É o pontapé de saída do plano de restruturação exigido pelas autoridades europeias. A venda do Banco Internacional de Cabo Verde, que até novembro era BES Cabo Verde, está nos últimos detalhes, com uma sociedade cabo-verdiana que tem acionistas portugueses.

A instituição tinha ficado no Novo Banco desde a resolução do BES mas com ordens do acionista para limitar a atividade. Em 2014 teve lucros de 250 mil euros, praticamente um terço do que tinha conseguido no ano anterior. O Banco Internacional afirma-se como terceiro maior banco comercial de Cabo Verde, com 25 colaboradores que servem quase 1900 clientes, na maioria particulares.

A TVI sabe que outro ativo não estratégico à venda é o Banque Espírito Santo Et De La Vénétie, cujo negócio está em fase adiantada.

O Novo Banco entra assim em 2016 com o plano de reestruturação em curso, peça fundamental para a nova tentativa de venda. O processo reabre em janeiro e a responsabilidade cabe a Sérgio Monteiro. 

O contrato publicado esta quinta-feira revela que o ex-secretário de Estado vai receber do Banco de Portugal e do fundo de resolução um total de 304,8 mil euros brutos, cerca de 25 mil euros por mês.

De acordo com o expresso, Carlos Costa quer que o executivo garanta impostos diferidos a quem ficar com o Novo Banco, ou seja que o comprador possa pagar impostos mais baixos no futuro, por causa dos prejuízos passados.

Em comunicado o Banco de Portugal garante que " não propõe qualquer bónus fiscal ou regime de exceção para os potenciais compradores do Novo Banco" e assegura "o Banco de Portugal não fez qualquer proposta ao Governo".

Em causa está o regime de tratamento das provisões que geram créditos por impostos diferidos que até agora entram nos ativos dos bancos. O Banco Central reconhece que o sistema tem de ser alinhado com o regime que prevalece na Europa e nesse sentido diz estar e diz "está somente disponível para contribuir para uma solução para o sistema financeiro português".