O governador do Banco de Portugal e a ministra das Finanças não aceitaram falar, este sábado, aos jornalistas sobre a situação do Novo Banco e a saída da equipa de gestão liderada por Vítor Bento.

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, participaram este sábado, em Milão, na reunião informal do Ecofin, que junta os ministros da Economia e das Finanças da União Europeia.

À saída do encontro, os jornalistas questionaram os dois responsáveis sobre a situação do Novo Banco e a intenção da equipa de Vítor Bento de deixar a liderança da instituição, com ambos a remeterem-se ao silêncio.

O jornal «Expresso» avançou na edição deste sábado que a administração do Novo Banco está de saída, uma informação entretanto confirmada pela equipa de gestão da instituição, liderada por Vítor Bento, que em comunicado deu conta de que, durante a semana, apresentou ao Fundo de Resolução e ao Banco de Portugal a intenção de renunciar aos cargos, mas garantiu que não sai «em conflito com ninguém».

A saída da equipa de Vítor Bento é atribuída pelo «Expresso» à rejeição pelo banco central da estratégia de longo prazo que apresentaram. De acordo com o jornal, o governador do Banco de Portugal quer vender o Novo Banco o mais rápido possível e diretamente a uma outra instituição bancária, enquanto Vítor Bento e a restante equipa defendem um projeto a médio prazo e com dispersão de capital em bolsa.

De acordo com os administradores do Novo Banco, a saída acontece depois de já terem contribuído para a sua «estabilização» e de terem posto em «marcha as ações necessárias para a normalização e melhoria do seu funcionamento», ao mesmo tempo que lançaram «um processo para a rápida venda do banco, gerido pelo Fundo de Resolução e pelo Banco de Portugal». Devido às razões acima enunciadas, os três gestores entenderam «ser agora oportuno passar o testemunho a uma outra equipa de gestão».

A 3 de agosto, o BdP tomou o controlo do Banco Espírito Santo (BES), depois de o banco ter apresentado prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades distintas.

No chamado banco mau («bad bank»), um veículo que mantém o nome BES mas que está em liquidação, ficaram concentrados os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas. No «banco bom», o banco de transição que foi chamado de Novo Banco, ficaram os ativos e passivos considerados não problemáticos.

O Novo Banco foi capitalizado com 4.900 milhões de euros do fundo de resolução bancário, sendo que 3.900 vieram de um empréstimo de dinheiro público e o restante dos bancos que fazem parte do fundo.