A gestora de ativos PIMCO, um dos maiores investidores institucionais do mundo, lança fortes críticas às autoridades nacionais pela decisão inédita de impor perdas a alguns credores do Novo Banco para recapitalizar a instituição. Philipe Bodereau, diretor-geral da PIMCO, diz que esta medida “abre um precedente perigoso”, falando em “populismo” à moda da Venezuela ou Argentina.

“A nova administração portuguesa não é o primeiro governo a recorrer a confiscos de ativos e medidas populistas. A Venezuela e a Argentina também pertencem a este clube”, escreve o diretor da PIMCO num artigo de opinião do Financial Times.


A crítica surge dois dias depois de o Financial Times ter defendido que “Portugal fez o correto”, no caso do Novo Banco, e vem na sequência da decisão de “confiscar os ativos obrigacionistas de forma seletiva e retroativa”, que foi uma “descriminação contra os obrigacionistas estrangeiros”.

“Se o Banco Central Europeu (BCE) não apoia a medida relativa ao Novo Banco então, como regulador bancário, tem tempo de agir. Caso o BCE apoie a decisão, ou não seja capaz ou não tenha vontade de agir, então, todos os investidores nos mercados europeus devem prestar atenção a este aviso”, recomenda Philippe Bodereau.


A PIMCO não é contra que os investidores sofram perdas quando há problemas em empresas, mas defende que, quando isso é necessário, “isso tem de ser feito de forma justa e respeitando a lei”, pelo que “o precedente aberto pelo Novo Banco é uma questão importante para todos os mercados europeus, não só para o mercado português”.

O director-geral da PIMCO já disse, em declarações ao Expresso, que vai contestar judicialmente a decisão do Banco de Portugal.