O administrador do Banco de Portugal José António da Silveira Godinho afirmou esta terça-feira, no Porto, que a nova nota de 20 euros, da série «Europa», deverá ser lançada «ainda em 2015» e a de 50 euros no ano seguinte.

Falando durante um seminário de apresentação da nova nota de 10 euros - que entra em circulação a 23 de setembro deste ano nos 18 países da zona euro, depois de a de 5 euros ter sido introduzida a 02 de maio de 2013 - José António da Silveira Godinho adiantou que «a ideia é manter um ritmo quase anual, de 15 em 15 meses», de introdução das novas notas da série «Europa».

Segundo explicou, as restantes notas (100, 200 e 500 euros) continuarão a ser introduzidas por ordem crescente de denominação, em datas ainda a definir.

O reforço dos «elementos de segurança» e da «durabilidade» foi o fator mais destacado entre as caraterísticas das novas notas, já que, nomeadamente no caso da de 10 euros, «o desenho artístico é muito semelhante ao da 1.ª série», pelo que «será muito fácil reconhecê-la por associação».

«A nova nota de 10 euros é semelhante à da 1.ª série, mas é ainda mais segura, mais resistente e mais duradoura, graças aos progressos alcançados na tecnologia de produção de notas» desde a entrada em circulação da primeira série, há mais de 10 anos, afirmou o administrador do Banco de Portugal (BdP).

Assim, a marca de água e o holograma incluem um retrato da figura mitológica grega Europa, que dá nome à nova série de notas de euro, sendo que um dos elementos de segurança novo que se destaca é o número esmeralda, o qual, dependendo do ângulo de observação, muda de cor, passando de verde-esmeralda a azul-escuro, e apresenta um efeito luminoso de movimento ascendente e descendente.

Além disso, nas margens esquerda e direita da frente da nota figuram pequenas linhas impressas em relevo, destinadas a facilitar a identificação das notas, especialmente por cegos e amblíopes.

A imagem de Europa impressa nas novas notas foi retirada de um vaso com mais de 2.000 anos, encontrado no sul de Itália e pertencente à coleção do Museu do Louvre em Paris, tendo sido escolhido «devido à sua clara associação com o continente europeu e também porque confere um toque humano às notas», segundo o Banco Central Europeu (BCE).

De acordo com o BdP, a antiga e a nova nota de 10 euros (tal como já acontece com as de 5 euros) circularão em simultâneo «durante um período largo ainda não definido» e a data em que as notas 1.ª série deixarão de circular será «anunciada com bastante antecedência», sendo que «manterão o seu valor, podendo ser trocadas nos bancos centrais nacionais do eurosistema por um período de tempo ilimitado».

Na sua intervenção, José António da Silveira Godinho destacou a necessidade de se proceder à adaptação atempada de todos os equipamentos que operam com numerário, «para que não haja qualquer constrangimento» quando a nova nota entrar em circulação, ao contrário do que aconteceu com a de 5 euros, para a qual estes equipamentos não foram preparados «em tempo oportuno».

Para a realização de testes a estes equipamentos - que incluem máquinas de tratamento/distribuição de notas, máquinas de venda automática e dispositivos de autenticação de notas - os seus fabricantes, fornecedores e detentores podem optar entre fazê-lo nas instalações do BdP ou solicitar empréstimos de notas de 10 euros, junto do banco central, para adaptação e testes.

Atualmente há mais de 15 mil milhões de notas de euro em circulação, cujo valor facial atinge os 900 mil milhões de euros, sendo o euro a moeda utilizada pelos 334 milhões de habitantes dos 18 dos 28 Estados membros da União Europeia que aderiram à moeda única.

De acordo com o administrador do BdP, os níveis de contrafação de notas na área do euro «continuam muito baixos», tendo sido apreendidas em 2013 em Portugal cerca de 15 mil notas que representam apenas 2,3% do total de contrafações detetadas na área do euro.