Em quatro meses, o Governo nomeou 273 dirigentes do Estado sem concurso público, recorrendo ao regime de substituição, que permite a colocação em cargos públicos preenchendo vagas de forma temporária.

O levantamento feito pelo jornal Público vai desde a tomada de posse (final de novembro) até agora. No entanto, a primeira vez que aquele mecanismo foi usado foi a 5 de Janeiro, ou seja, mês e meio depois da entrada em funções do Executivo socialista liderado por António Costa.

A maioria dos despachos foi publicada em março (80) e abril (136). Do total, praticamente metade das nomeações totais (134) foi feita pelo Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, sendo que o Instituto do Emprego e Formação Profissional é aquele que tem mais cargos em regime de substituição, com 119 casos. Ao mesmo jornal, fonte oficial do ministério tutelado por Vieira da Silva faz notar que dois terços dos dirigentes do IEFP se mantiveram em funções. 

Também 54 chefes e adjuntos de chefes de finanças entram na lista dos cargos preenchidos por regime de substituição. 

A grande maioria das nomeações do Estado incidiu sobre chefias intermédias. Mais de 30 dizem respeito a altos quadros da administração pública, alvo de escrutínio pela comissão de recrutamento. 

Praticamente metade aguarda ainda pelo lançamento do concurso obrigatório: 19 casos no ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, com 12 deles no IEFP, quatro na Economia, dois na Justiça e outros tantos no Planeamento. Cultura, Defesa, Presidência do Conselho de Ministros e Ambiente têm ainda um caso cada.