O presidente da rodoviária Vimeca acusa o secretário de Estado dos Transportes de «má-fé» por recusar a proposta da empresa para integrar o passe navegante, obrigando a transportadora a terminar definitivamente com os passes sociais.

Em declarações à agência Lusa, Fernando César explicou que, desde dezembro, ocasião em que decidiu abandonar o sistema do passe social, que está em negociações com o Governo para uma alternativa que não prejudicasse a empresa nem os utentes.

«A Vimeca [que opera na Grande Lisboa], no decorrer desta situação, conversou com a Secretaria de Estado [dos Transportes] e começou a ter negociações com a CP, Metro e Carris para criar o passe navegante que abrange as quatro operadoras. Já estávamos no final de assinatura de protocolo, e aí íamos realmente oferecer um serviço de mobilidade fantástica e com preços mais baixos, mas o senhor secretário de Estado não permitiu que as empresas públicas concretizassem esse passe connosco», relatou.

O presidente da administração da Vimeca acusou ainda o governante de ter adotado uma estratégia para obrigar a transportadora privada a permanecer no sistema de passe social.

«Tentámos a todo o custo sensibilizar o Governo que este atual sistema não dá para a Vimeca subsistir. Se continuássemos no atual sistema, de passe social, a Vimeca fechava, era uma questão de tempo», disse.

Fernando César sublinhou que, todos os meses, a Vimeca tinha de entregar parte das suas receitas a outras operadoras, somando-se já, desde 2011, 7 milhões de euros em dívida por parte do Estado.

Perante a falta de acordo com o Governo, a Vimeca vai avançar definitivamente com o fim dos passes sociais, a partir de 01 de agosto.

No entanto, Fernando César assegurou que se irá manter a qualidade dos transportes e os preços serão mais baixos, numa poupança entre 5 a 10 euros.

A diferença, explicou, é que o passe social abrangia 10 operadoras e o combinado não, o que obrigará os utentes a terem de comprar mais do que um passe.

Contactado pela Lusa, fonte do Ministério da Economia disse que «a política de transportes é definida pelo Governo no interesse das populações e não por um operador privado, no seu interesse acionista próprio».

«Continuamos empenhados numa solução que beneficie as populações e assente num acordo. Defendemos sempre soluções por acordo, mas os interesses das populações têm de estar acima dos interesses de um único operador privado», reforça.

Na passada quinta-feira, o Governo aprovou, em reunião do Conselho de Ministros, o pagamento de 21,8 milhões de euros em dívida, relativos a 2011, 2012 e 2013, às transportadoras Rodoviária de Lisboa (RL) e Transportes Sul do Tejo (TST) para manter os passes intermodais, excluindo a Vimeca do acordo.