O novo presidente da comissão executiva da Unicer, João Abecasis, admite que as medidas previstas no Orçamento do Estado para 2014 ameaçam a perspetiva de estabilização do mercado que a empresa mantinha para o próximo ano.

«Temos estado a trabalhar, até agora, numa perspetiva de estabilização do mercado, mas, perante as notícias do Orçamento do Estado, hoje já não estamos tão certos de que o mercado se mantenha estável como em 2013», afirmou, citado pela Lusa.

O responsável afirmou-se particularmente «desiludido» com a manutenção do IVA na restauração nos 23%, mas também «preocupado» com o sacrifício adicional novamente exigido às famílias portuguesas.

Para João Abecasis, estes fatores terão um impacto mais negativo na atividade da Unicer do que o agravamento dos impostos sobre o setor das bebidas, também previsto no documento.

«A não reposição da taxa de IVA a 13% na restauração é o aspeto que mais me desilude», disse, esclarecendo, em resposta aos jornalistas, não ter ficado desiludido com o ministro da Economia (com quem trabalhou mais de dois anos na comissão executiva da Unicer), mas sim com a não descida da taxa.

O responsável disse ainda que não sentiu nenhuma diferença nos contactos com Angola desde o anúncio da suspensão da parceria estratégica com Portugal feito pelo Presidente angolano.

«Não senti nenhuma diferença nas reuniões diárias que temos, não senti nenhum impacto».

Há vários anos que a Unicer está a negociar o arranque de um projeto industrial em Angola e, segundo João Abecasis, o projeto está «a evoluir a bom ritmo, dentro dos timings estipulados», devendo a fábrica a construir naquele país, com capacidade para 120 milhões de litros, «estar a produzir cerveja em 2016».

«Vejo o projeto a avançar e as autoridades angolanas a tratar o projeto com rigor, profissionalismo e a tempo e horas», disse, descrevendo Angola como um «mercado fundamental para a Unicer».

«É um país jovem, positivo e em crescimento, com um Estado soberano, e a Unicer respeita as regras do país», afirmou.

A Unicer, que fechou um acordo de produção com uma empresa brasileira, vai começar a produzir a cerveja Super Bock no Brasil no final deste ano.

João Abecasis salientou tratar-se da primeira vez que a Super Bock vai ser produzida «fora de Portugal».

O acordo de produção foi celebrado com a empresa Riograndense, que, a partir de dezembro, vai produzir sob licença a marca Super Bock no Brasil. O objetivo é dentro de cinco anos vender 10 milhões de litros naquele país.

A decisão de licenciar a produção no Brasil foi justificada por João Abecasis com os «preços proibitivos» a que a cerveja produzida na fábrica de Leça do Balio chegava aquele país, dadas as taxas e impostos a que está sujeita.

Segundo o presidente executivo da Unicer, a Super Bock produzida no Brasil será apenas para fornecer o mercado brasileiro, um mercado «gigantesco» de 12 mil milhões de litros, continuando os EUA e o Canadá a ser abastecidos a partir de Leça.