A Comissão de Trabalhadores da PT diz compreender a decisão de avançar para a fusão com a Oi, um passo que era já «previsível», «embora não se esperasse que fosse tão cedo». Mas os trabalhadores da operadora revelam também alguns receios.

«Alguma fragilidade da PT provocada pela situação económica do País e pela agressividade da concorrência, fazia prever que alguma coisa deveria ser feita», referem em comunicado, acrescentando que «naturalmente o aproveitamento da nossa presença na OI no Brasil tendo em conta a necessidade de crescimento da PT era o passo mais evidente».

«A situação económica do País está a criar já sérias dificuldades de crescimento e desenvolvimento da PT que provoca a perda de clientes agravada ainda com a «estratégia suicida» da concorrência que como se sabe não tem as responsabilidades sociais existentes na PT», refere o comunicado.

Para a Comissão, «numa perspetiva de desenvolvimento e crescimento num grande mercado como o brasileiro esta decisão é positiva, como positiva também é a dimensão gerada protegendo assim numa situação de maior fragilidade a PT de possíveis OPA hostis».

No entanto, sublinham os trabalhadores, «todos conhecemos as fragilidades da OI do ponto vista técnico, que exigirá um grande esforço de investimento financeiro, a par da necessidade de reduzir uma divida bruta (muito próxima de 25 mil milhões de euros no final do ano passado)».

«Deixa-nos ainda algumas reticências que o centro de decisão fique no Brasil como tudo indica. Acresce aos nossos receios as situações muito diferentes das condições sócio laborais da OI e da PT que poderão vir a prejudicar os direitos contratuais dos trabalhadores do Grupo PT em Portugal», advertem.



Os trabalhadores concluem lamentando terem tido «conhecimento de decisão tão importante através da Comunicação Social» de hoje, «sem terem sido ainda convocados pela Administração para melhor esclarecimento».