Cerca de duas centenas de trabalhadores de handling da Groundforce concentraram-se hoje à tarde junto ao terminal das chegadas de passageiros no aeroporto de Lisboa onde protestaram contra a possibilidade de venda total da empresa à Urbanos.

Handling: greve não deverá cancelar voos

«Não vamos permitir que esta empresa saia do grupo TAP», avisou um dirigente do Sitava-Sindicato dos Trabalhadores e da Aviação dos Aeroportos, Fernando Henriques, enquanto se dirigia aos trabalhadores presentes junto ao terminal.

O sindicalista referia-se à possibilidade de venda de 49,9% do capital da Groundforce que está agora nas mãos do grupo TAP ao grupo Urbanos, que já é acionista maioritário, com 51,5% das ações. Isto porque o presidente da empresa de logística e transportes, Alfredo Casimiro, admitiu recentemente que pode vir a comprar a totalidade da empresa de handling, explicou.

Fernando Henriques acrescentou que o sindicato está preocupado com a eventual perda da TAP enquanto cliente se esta deixar de ser acionista, uma vez que a companhia aérea representa «75% das receitas da empresa». «Numa primeira fase até podem assinar um contrato que assegure um ou dois anos de serviço, mas depois como será?», avisou a quem assistia.

A concentração de hoje, que se realiza em paralelo com uma greve marcada entre as 15:00 e as 22:00, tem também como objetivo reivindicar uma alteração no sistema de horários definidos pela Groundforce, que nos últimos anos deixou de permitir aos trabalhadores o direito a quatro dias de trabalho, seguidos por duas folgas.

Atualmente, «quem tem filhos menores de 12 anos vê-se obrigado a recorrer à lei para ter um horário especial que permita a entrada entre as 8:00 e as 8:30», explicou à Lusa uma delegada sindical, Ana Sardoeira, acrescentando que no entanto essas pessoas têm direito apenas a uma folga por semana.

No entanto, se não tiverem o horário especial, os trabalhadores vêm-se obrigados a prestar serviço durante a noite, «o que se torna complicado para famílias com crianças», especialmente quando em várias situações «estão os dois membros do casal a trabalhar na Groundforce», acrescentou.

A delegada sindical lembrou também que já tiveram de recorrer à Comissão para a Igualdade no Trabalho em 2013, quando a empresa impediu vários trabalhadores de tirarem licenças sem vencimento durante o mês de agosto, que precisavam de tomar conta dos filhos, e alertou para as constantes mudanças de horários de quem trabalha no handling do aeroporto. «De todas as profissões que conheço, a nossa será a que tem horários mais bizarros», concluiu.

Outro dos objetivos da concentração de hoje foi dar início a um processo de reivindicação para a criação de um contrato coletivo de trabalho para todos os trabalhadores do setor do handling, impedindo assim que «a concorrência se faça através da concorrência de preços», indicou por seu turno Fernando Henriques, dirigente do Sitava.

Prevista para amanhã está uma reunião da comissão de trabalhadores da Groundforce com vários sindicatos ligados à empresa, para debaterem várias questões, entre as quais os resultados do exercício do ano passado.