O Banco Santander Totta quer que o Governo corrija os erros que, segundo diz, constam do estudo da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) sobre os swaps, tendo dado um prazo ao Executivo para o fazer.

«Da análise que fizemos das notícias que têm vindo a sair, verificámos que existem alguns erros no estudo apresentado sobre o Santander Totta pelo IGCP», afirmou o presidente do banco, António Vieira Monteiro, num encontro com jornalistas, em Lisboa, onde foram apresentados os resultados do banco.

«De acordo com o documento que nós vimos, que saiu na imprensa, aparece que nós, no Metro do Porto, teríamos ganho perto de 100 milhões de euros e eu posso dizer que nós nem 10% desse valor ganhámos», disse, citado pela Lusa, depois de lhe terem sido solicitados exemplos concretos dos erros mencionados.

O responsável adiantou que o banco enviou uma carta para o IGCP a pedir para os erros serem corrigidos, deixando entender que ainda não obteve resposta sobre a matéria.

«Esperamos que o IGCP o faça brevemente», disse o banqueiro, sublinhando que «o prazo está a decorrer» e que o documento original do instituto que gere o crédito público foi discutido, com erros, na comissão de inquérito parlamentar dedicado aos swaps contratados por várias empresas públicas junto de diversos bancos.

O Totta admite tomar outras medidas para defender os interesses da instituição, mas Vieira Monteiro não quis, para já, adiantar qual o prazo concedido ao IGCP, nem os passos que o banco poderá dar, em virtude da resposta que receberá da entidade pública.

«Demos um prazo, em função dessa resposta decidiremos o que vamos fazer», concluiu Vieira Monteiro.

O banqueiro explicou que o conhecimento que tem do estudo é através da comunicação social, já que «não foi permitido ao banco aceder aos estudos feitos pelo instituto de crédito público e outras instituições» sobre os swaps.

«Fomos obrigados a ir aos tribunais para pedir acesso a essas informações», frisou Vieira Monteiro.

Ainda sobre os swaps, o presidente do Totta explicou as cautelas que tem em falar sobre o tema, porque «o banco mantém determinados processos em curso» e isso «obriga» a ter o máximo de cuidado nas afirmações prestadas aos jornalistas.

«Desde o início que dizemos que as operações realizadas pelo banco são perfeitamente legais, não são operações tóxicas, são operações de taxas de juro e não são baseadas em índices proprietários nem em qualquer outra espécie de índices», frisou.

«O banco em determinado momento foi aos tribunais ingleses, que são os competentes [tal como está estipulado nos contratos swaps], para que estes se pronunciassem sobre a legalidade das operações», justificou o banqueiro.

Vieira Monteiro assegurou que «as empresas [envolvidas no caso] foram já notificadas e aguarda-se o desenvolvimento», isto é, as decisões judiciais.