O coordenador da Comissão de Trabalhadores da têxtil Fitor, em Famalicão, disse hoje que a empresa prepara o encerramento da fábrica e o consequente despedimento coletivo dos seus perto de 100 trabalhadores, alegando acumulação de prejuízos.

Ernesto Freitas referiu à agência Lusa que a intenção de fechar a fábrica foi comunicada pela administração à Comissão de Trabalhadores a 07 de outubro.

«Alega que a empresa tem vindo a acumular prejuízos, o que, na nossa opinião, não corresponde à verdade. Mas, se isso fosse verdade, a culpa seria da má gestão e não dos trabalhadores. No fundo, o que eles querem é transferir a produção para a Alemanha, onde está a sede do grupo a que Fitor pertence», acrescentou.

Segundo Ernesto Freitas, a administração alega que, desde 2011 até agosto de 2013, já acumulou prejuízos superiores a 3 milhões de euros.

A Comissão de Trabalhadores tem agora até quinta-feira para se pronunciar sobre a intenção de encerramento, preparando-se para afirmar a sua «total discordância».

A Fitor já procedeu, em finais de 2012, ao despedimento coletivo de meia centena de trabalhadores, abrangendo todo o pessoal que das secções de torcedura e texturização, que foram encerradas.

Implantada em Famalicão desde 1964, a Fitor dedica-se ao fabrico de fios sintéticos têxteis, tendo chegado a empregar mais de 400 trabalhadores.

Integra o grupo alemão «Doun & CIE», cuja intenção será manter em Portugal apenas uma representação comercial da Fitor.

O PCP já questionou o Governo sobre a situação da empresa, perguntando concretamente que apoios nacionais ou comunitários, recebeu a Fitor nos últimos 10 anos e que medidas serão tomadas para defender os postos de trabalho, os direitos destes trabalhadores e a produção nacional.

A agência Lusa tentou ouvir a administração da Fitor, o que não foi possível em tempo útil.