O ex-ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, considera «estranho» o «preço tão baixo» a que foi o BPN depois vendido ao BIC, mas reconhece que o Estado ficou fragilizado por só restar um comprador.

«Devo dizer que estranho que tenha sido uma alienação a um preço tão baixo (40 milhões de euros mais o direito de exigência de restituição de algumas verbas de acordo com as condições em que o banco foi alienado). Mas confesso que não tenho informação suficiente para dizer que o valor é ajustado ou não», afirmou Teixeira dos Santos em entrevista à agência Lusa.

Ainda assim, acrescenta: «Sinceramente, na altura, quando saí do Governo, a avaliação que tínhamos apontaria para um valor mais elevado».

Para o ex-ministro, o facto de se ter chegado a um ponto em que só restava um possível comprador para o Banco Português de Negócios (BPN) «necessariamente prejudicou a posição negocial do Estado».

O contrato-promessa de venda do BPN ao Banco BIC foi assinado a 31 de julho de 2011, três meses após as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu terem determinado a venda da instituição num curto espaço de tempo.

Excluída a questão do preço de venda, Teixeira dos Santos considera que a alienação do banco «foi positiva», recordando que a venda era um objetivo do próprio Governo quando procedeu à nacionalização.

«[O Governo] anunciou que, logo que possível, iria proceder à privatização», disse, esclarecendo que a operação só «não foi feita mais cedo devido ao prolongamento da crise e às dificuldades da atividade bancária».