A tecnológica Wit, especializada no desenvolvimento de aplicações de software e serviços avançados na área das telecomunicações móveis, olha para novas geografias e vai entrar em Singapura em 2014, disse à Lusa o diretor executivo da empresa portuguesa.

«A Wite-Software fornece atualmente produtos para os cinco maiores grupos de operadores móveis na Europa e, em 2014, vai entrar em Singapura e no Brasil, além de reforçar a sua presença nos Estados Unidos», explicou Luís Silva, realçando que 80% da faturação da empresa é gerada nos mercados externos.

Constituída em 2001 como spin-off do IPN ¿ Instituto Pedro Nunes de Coimbra, a Wit-Software sempre teve uma apetência natural para a investigação aplicada e inovação.

Ao longo da última década, a Wit-Software tem vindo a canalizar 25% dos recursos para atividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D), «investimento contínuo que tem sido crucial» para a sua estratégia de diferenciação através da inovação, lembrou o gestor.

Luís Silva disse ainda que a empresa vai fechar 2013 com um volume de negócios de 10 milhões de euros, tendo vindo a crescer, em média, na casa dos 30% anualmente.

«O investimento em produtos de software com caráter inovador permitiram à Wit registar, entre 2006 e 2013, uma verdadeira mudança de paradigma, com a faturação global a crescer 1.556%», sublinhou à Lusa o diretor executivo da tecnológica portuguesa.

O crescimento da Wit-Software tem sido feito «a nível orgânico, de forma sustentado e sempre sem recurso a financiamento por parte da banca», frisou Luis Silva, adiantando que agora já pode dizer: «dívida zero».

A empresa fornecedora dos maiores grupos de operadores móveis da Europa - Vodafone, Telefónica, Deutsche Telekom, Orange-France Telecom, Telia Sonera, Telecom Itália ¿ vai avançar já em 2014 para novas geografias. O Brasil e a Argentina, na América do Sul, e também o México, além de ter atualmente clientes nos Estados Unidos e em África.

A Wit, que tem quatro escritórios - Coimbra, Porto, Leiria e Lisboa ¿ e filiais em Reading, no Reino Unido, e em San José, nos Estados Unidos, emprega 160 pessoas, mas «tem dificuldades em contratar» engenheiros de informática em Portugal devido «à sua falta», lamentou Luis Silva.

«No final deste ano teremos escritórios novos, em edifícios fantásticos, caso do Porto, e já abrimos 40 posições para engenheiros de informática que queremos que estejam preenchidas nos próximos três meses», salientou.

Questionado sobre se a crise em Portugal está a afetar a Wit-Software, Luis Silva referiu à Lusa que esta apenas afeta a empresa, «de forma lamentável», na medida em que a cola à «imagem negativa» de um país intervencionado.

«Nós sentimos isso na pele, pois temos sempre de explicar que somos uma empresa tecnológica de ponta, embora sejamos de um país sujeito a ajuda financeira externa», salientou.

A Wit, apesar desta desvantagem, não equaciona deixar de ter a sede em Portugal, segundo o diretor executivo da empresa tecnológica que esta semana venceu o prémio PME Inovação COTEC - Associação Empresarial para a Inovação, entidade que foi constituída em abril de 2003.