O presidente da EDP, António Mexia, disse esta quinta-feira que a taxa especial que o Governo quer aplicar ao setor da energia «é compreensível» desde que seja temporária e garantiu que o custo será «suportado pelos acionistas».

«É necessário distinguir o que é temporário ou permanente. Essas taxas são compreensíveis se forem temporárias. Ninguém gosta, mas as pessoas percebem que se resulta de uma necessidade de curto prazo», sublinhou António Mexia na conferência do 2.º aniversário do jornal online «Dinheiro Vivo».

O presidente da EDP destacou que o encaixe que daí resulta pode ter um efeito positivo para as empresas e para o país e que «toda a gente deve participar no ciclo virtuoso» de equilibrar as contas do Estado e diminuir o spread da dívida.

Assinalou, no entanto, que «é indispensável» que estas taxas «tenham um caráter de curto prazo», acrescentando que embora a última versão da lei seja menos discriminatória não se compreende porque é que a taxa é restrita apenas ao setor da energia.

«Devia ser alargada a outros setores», salientou.

António Mexia garantiu ainda que o custo será «suportado pelos acionistas», afastando um possível impacto na fatura da eletricidade.

O mesmo responsável contestou também a ideia de que a eletricidade em Portugal é cara e frisou que a Península Ibérica tem «sistematicamente os preços grossistas mais baixos» entre os mercados regionais europeus.

António Mexia disse que houve uma descida de 4% no preço da energia elétrica nos últimos 15 anos, sem contar com o aumento do IVA, enquanto o petróleo e o gás subiram entre 75 e 100%.

Adiantou também que, em termos nominais, a eletricidade pesa menos de 3% no orçamento das famílias e representa 2% dos custos da empresa, concluindo: «não é aqui que está um problema de competitividade».

Considerou, por outro lado, que a concorrência está a funcionar, afirmando que a EDP tem neste momento menos de 50% do mercado de energia em Portugal, sendo o restante ocupado por outros operadores.

«Há um grupo muito significativo de empresas que participam no mercado, mesmo no retalho. Já saíram dois milhões de pessoas [para o mercado liberalizado], o dobro do que era esperado o que significa que está a funcionar», vincou.