O antigo presidente do Metro de Lisboa, Carlos Mineiro Aires, afirmou esta quarta-feira no Parlamento que os contratos swap, celebrados no seu mandato, foram considerados a melhor forma de reduzir os custos de financiamento e assim defender os interesses do Estado.

«A convicção da direção financeira em que se baseou a decisão do Conselho de Administração é que os interesses do Estado estavam a ser defendidos [com a celebração dos referidos contratos] num cenário de previsão de subida das taxas de juro», afirmou Carlos Mineiro Aires, citado pela Lusa. na comissão parlamentar de Inquérito à Celebração de Contratos de Gestão de Risco Financeiro ( swap) por Empresas do Setor Público.

Na declaração inicial, o antigo presidente do Metro de Lisboa, que exerceu funções entre 2003 e 2006, explicou que, à data do seu mandato, «não havia qualquer perspetiva de alteração da conjuntura macroeconómica nem de descida abrupta das taxas de juro», o que fazia com que os contratos swap permitissem reduzir os custos de financiamento do metropolitano lisboeta, que era uma das maiores preocupações da empresa.

Mineiro Aires explicou que, enquanto presidente, não tinha o pelouro financeiro da empresa, admitindo ter mesmo «várias limitações na área financeira».

Ainda assim, realçou, «naquela época havia confiança no trabalho desenvolvido pelas várias direções», nomeadamente na financeira, e «as atas foram aprovadas todas por unanimidade».

O antigo presidente do Metro de Lisboa lembrou ainda que o seu mandato de três anos foi tutelado por três governos distintos, existindo reuniões regulares com a tutela [Transportes], nas quais «obviamente» aquelas questões «eram abordadas».

«Nunca tive qualquer contacto com a tutela das Finanças. Quanto à tutela setorial havia conversas, aliás havia grande confiança e estas questões eram abordadas», declarou.

No Parlamento, o antigo gestor sublinhou que «todos os contratos visavam apenas a redução dos custos financeiros da empresa a redução da taxa de juro e estavam associados a empréstimos existentes», numa altura em que os encargos financeiros representavam cerca de 40% dos custos do Metro de Lisboa.

«O modelo de financiamento passava pelo sucessivo endividamento para fazer face às responsabilidades, numa espiral sem retorno», acrescentou, precisando que, quando assumiu a presidência o passivo atingia os 2,4 mil milhões de euros.

De acordo com o relatório do IGCP, as operações de cobertura de risco da taxa de juro do Metro de Lisboa têm perdas potenciais de 1,4 mil milhões de euros, quase metade do valor das perdas de todas as empresas públicas.

O Metro de Lisboa contabilizava no final de setembro do ano passado 66 contratos desta natureza, correspondentes a perdas potenciais de 1,4 mil milhões de euros de um total de 3,3 mil milhões de euros para o universo de empresas do Estado.