O ex-presidente da REFER, Luís Pardal, afirmou esta terça-feira no parlamento que a gestora da rede ferroviária «nunca foi dotada de recursos financeiros para a execução da sua missão», tendo recorrido aos swap para atenuar custos de financiamento.

Luís Pardal, que liderou a Refer entre 2005 e 2012, explicou que «a componente financeira foi um domínio que requereu muita atenção do conselho de administração», adiantando que o recurso a instrumentos de gestão de risco financeiro (swap) tinha como objetivo «atenuar os custos de financiamento» e «reduzir a imprevisibilidade».

«Estava fora de questão qualquer propósito especulativo», declarou na comissão parlamentar de Inquérito à Celebração de Contratos de Gestão de Risco Financeiro (swap) por Empresas do Setor Público.

Quando chegou à empresa em 2005, oito anos após a sua constituição, esta já acumulava uma dívida de 3,7 mil milhões de euros, porque «desde o início nunca foi dotada dos recursos financeiros para a execução da sua missão que era manter e explorar a rede ferroviária nacional».

«A empresa era conduzida ao endividamento porque a dívida não era refletida no défice do Estado, por isso, quem instrumentalizava a empresa para o endividamento era o Estado e quem o suportava e refletia nas suas contas era a Refer», declarou.

Considerando não estar «em condições de responder com detalhe técnico» às questões sobre os swap, o antigo presidente adiantou que «uma dívida deste tamanho obrigou a empresa a rodear-se de enormes cuidados com o setor financeiro no sentido de tentar otimizá-la».

«A empresa valorizou sempre todas as medidas que pudessem atenuar o peso desta dívida e estava dotada de capacidade, de gente muito capaz, muito preparada e atenta às medidas que podiam atenuar os custos [de financiamento]», acrescentou.