O grupo Soares da Costa registou prejuízos de 16 milhões de euros entre janeiro e setembro deste ano, valor praticamente idêntico ao verificado em igual período do ano passado, revelou esta quarta-feira a companhia.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) no dia seguinte à assinatura dos acordos que confirmaram a entrada do empresário António Mosquito na construtora, o grupo Soares da Costa informou que o volume de negócios nos primeiros nove meses do ano caiu 22,5% face ao homólogo de 2012, de 619,3 para 479,9 milhões de euros.

A quebra mais acentuada deu-se no mercado nacional, com uma descida de receitas de 35,3% para 126,7 milhões de euros, enquanto em termos internacionais a descida foi de 16,6% para 353,2 milhões de euros.

Em termos de EBITDA (resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) a Soares da Costa assistiu a uma redução de 26,7% para 48 milhões de euros até setembro, segundo o relatório e contas do terceiro trimestre.

«Após quatro trimestres em quebra (a partir do segundo trimestre de 2012) o volume de negócios subiu durante o terceiro trimestre do ano corrente, o que poderia ter sido mais acentuado não fora a evolução cambial do euro ocorrida durante o trimestre ter desfavorecido a expressão numérica do volume de negócios em euros», escreve a empresa.

A Soares da Costa lembra que Portugal, onde recorda a «atrofia do setor», já deixou de ser o primeiro mercado da empresa, em 2012, mas, ainda assim, tem uma influência significativa nos resultados.

«Esta queda do mercado doméstico não pôde ser compensada pelo comportamento dos principais mercados internacionais em que o grupo opera, designadamente em Angola, fundamentalmente pelo atraso verificado no arranque de obras relevantes, conforme já foi referido no relatório semestral e que, tendo-se já iniciado não se conseguiu promover a almejada recuperação», acrescentou o documento.

A carteira de encomendas no final de setembro era de 912,8 milhões de euros, menos 12,9% do que o do final do ano passado, uma evolução que a empresa atribui à «desconsideração dos projetos do Hospital de Todos os Santos, em Lisboa, e da infraestrutura rodoviária cuja concessão na Costa Rica foi, entretanto, alienada, sem cujo efeito resultaria, na análise comparativa uma variação inexpressiva».