Os acionistas do grupo Soares da Costa reúnem-se esta segunda-feira em assembleia geral extraordinária, no Porto, para decidir a operação de capitalização da subsidiária dedicada à construção, que passa pela entrada do empresário angolano António Mosquito.

A agenda da reunião tem como ponto único deliberar sobre a capitalização na área de negócio da construção, comunicada ao mercado em agosto, que consiste na entrada do empresário angolano António Mosquito, através de uma operação de aumento de capital da Soares da Costa Construção em 70 milhões de euros, refere a Lusa.

A operação implica um aumento de capital na Soares da Costa Construção, no valor de 70 milhões de euros, a subscrever e realizar integralmente em dinheiro por António Mosquito, que «passará a deter 66,7% do capital da Soares da Costa Construção e a Grupo Soares da Costa fica com os restantes 33,3%», segundo uma informação divulgada a 19 de agosto.

A proposta de capitalização da Soares da Costa, que torna António Mosquito acionista maioritário, permite-lhe escolher cinco dos sete membros do conselho de administração, mas o grupo tem que concordar com operações como a alienação de participações.

Segundo o acordo acionista, que será votado hoje, o grupo Soares da Costa, holding em que Manuel Fino é acionista maioritário e que ficará com 33,33% da construtora, tem o direito de indicar dois dos sete membros do conselho de administração, mas, apesar da posição minoritária, tem que ser «previamente consultado» sobre a alienação de participações, por venda de ações ou via aumento de capital subscrito por terceiros.

Caso não concorde com os termos da transação, a grupo Soares da Costa pode vender potestativamente, mediante determinados requisitos, a sua participação na Soares da Costa até ao final do quarto ano do acordo, que tem uma duração de seis anos.

Por seu lado, a assembleia geral de acionistas tem a última palavra sobre projetos de fusão, cisão, transformação ou propostas de dissolução da Soares da Costa, destituição sem justa causa de membros dos órgãos sociais, alteração dos estatutos, aumentos de capital, emissão de obrigações ou de outros valores mobiliários convertíveis em ações, aprovação de contas e propostas de aplicação de resultados, fusão, cisão, transformação e outros assuntos para os quais a lei exija maioria qualificada.

O acordo, divulgado ao mercado a 19 de agosto, exige ainda que a construtora Soares da Costa mantenha o controlo da sucursal em Angola, que, no final de junho, representava quase metade das obras em carteira ¿ 525 milhões de euros em 1,1 mil milhões.

Nos primeiros seis meses do ano, período em que a empresa teve prejuízos de nove milhões de euros, que comparam com 14 milhões de euros do período homólogo, Angola foi o principal mercado internacional do grupo português.

No que toca à política de dividendos, o acordo garante uma maximização do valor a distribuir, «destinando sempre a esse efeito 80% dos resultados, desde que observados os rácios mínimos de autonomia financeira e de liquidez geral».

A assembleia geral de acionistas está agendada para as 15:00 na sede da empresa liderada por António Castro Henriques, no Porto.