O ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos considera que «o pior ainda não passou» para o sistema bancário português, apontando o «esforço muito grande» necessário para continuar a resistir à crise e cumprir as acrescidas exigências da regulamentação europeia.

«Os bancos vão ter que continuar a fazer um esforço muito grande para resistirem aos efeitos desta crise e, também, para cumprirem o novo quadro regulamentar de maior exigência, que os obriga a ter mais capital na sua atividade, para terem maior robustez», afirmou o ministro das Finanças do Governo de José Sócrates.

Cinco anos passados desde a intervenção estatal no Banco Português de Negócios (BPN), que ocorreu cerca de um mês após a falência do norte-americano Lehman Brothers e numa fase de grande turbulência no sistema bancário internacional, Teixeira dos Santos acredita que já «não há problemas de credibilidade» na banca, mas sustenta que esta continuará a estar sujeita a um esforço acrescido.

Penalizados pelo aumento dos incumprimentos e do crédito malparado, a que se somam perdas de valor dos ativos detidos e uma retração do negócio devido à recessão, os bancos, recorda o ex-ministro, têm vindo a apresentar, de há dois anos a esta parte, prejuízos sucessivos.

«É uma perda de capital para os bancos, que não ajuda ao reforço da sua solidez [e] obriga-os a um esforço acrescido. Acho que esse período ainda não acabou, os bancos vão ter que continuar esse esforço, tanto mais que o novo enquadramento europeu é muito exigente e a própria constituição da união bancária e entrada em funcionamento do supervisor único europeu vai exigir ¿stress tests¿ que vão fazer uma avaliação muito rigorosa da situação dos bancos», disse.

Ainda assim, Teixeira dos Santos considera estarem já ultrapassados os «problemas de credibilidade» e defende que o sistema bancário português, comparativamente com o de outros países, até «tem reagido bem».