O Sindicato da Hotelaria do Norte denunciou hoje um despedimento coletivo em curso no Casino da Póvoa, concessionado à Varzim Sol, abrangendo 21 trabalhadores e que garante ser «injustificado» e «discriminatório».

Em declarações à agência Lusa, o coordenador sindical Francisco Figueiredo disse ter-se iniciado hoje o «período de informação e negociação» do processo de despedimento coletivo, dirigido a 20 trabalhadores do setor do jogo e a um funcionário dos recursos humanos.

«É um processo que não compreendemos e que consideramos discriminatório e, evidentemente, ilegal», sustentou.

A agência Lusa tentou obter esclarecimentos junto da Varzim Sol, pertencente ao grupo Estoril Sol, mas tal não foi possível até ao momento.

Para o sindicato, o despedimento coletivo - que terá sido justificado pela empresa com a atual situação económica do país - não tem sentido porque «o Casino da Póvoa dá lucro e é uma empresa equilibrada».

A este facto acresce que, segundo Francisco Figueiredo, o processo em curso é «discriminatório», já que «um terço dos trabalhadores afetados são dirigentes/delegados sindicais e membros da comissão de trabalhadores».

«Dos 10 representantes dos trabalhadores [no Casino da Póvoa], sete estão na lista do despedimento coletivo», afirmou, denunciando ainda que outro dos critérios alegadamente usados na seleção dos funcionários a dispensar foi a sua recusa em assinar os «acordos de polivalência» apresentados pela empresa «durante 2012 e 2013».

«A empresa quis forçar os trabalhadores a assinarem acordos de polivalência e alguns, não se recusando a fazer polivalência, recusaram-se a assinar o acordo e a empresa manda-os agora para a rua», sustentou.

Considerando que «a empresa usou o despedimento coletivo para se ver livre de pessoas que, do seu ponto de vista, são indesejáveis», o sindicato afirma que o processo é «ilegal» e diz estar a trabalhar em «propostas alternativas».

Até porque, afirma o dirigente sindical, «de há alguns anos a esta parte que o Casino da Póvoa tem tido uma política que indicia que estão a transformá-lo num armazém de máquinas automáticas, desvalorizando-se a restauração e a área dos espetáculos, cultura e lazer».

Segundo o dirigente sindical, «há cerca de 10 anos» aquele casino chegou a empregar 600 trabalhadores, tendo atualmente 244 funcionários, mas a redução de pessoal tem acontecido através de rescisões por mútuo acordo, «se bem que muito forçadas».

«Não me lembro de assistir, aqui, a um processo de despedimento coletivo», disse.