Os acionistas da Portugal Telecom SGPS têm que colocar um ponto final na fusão com a brasileira Oi, dado que esta violou o acordo original de união quando fechou acordo para a venda dos ativos portugueses à Altice, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom.

Jorge Félix, cujo sindicato vai reunir-se esta sexta-feira com a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), órgão regulador dos mercados portugueses, disse em entrevista à Reuters que a assembleia de acionistas da Portugal Telecom SGPS para deliberar sobre a venda, agendada para 12 de janeiro, não pode avançar nos moldes atuais.

«Os acordos originais não foram cumpridos do lado da Oi e, assim, a resolução da fusão deve ser submetida à apreciação dos acionistas, antes que qualquer venda seja considerada. É uma questão fundamental», afirmou.

«As decisões que os acionistas da Portugal Telecom tomaram (originalmente) não previam a venda da PT Portugal», disse.

O sindicato liderado por Jorge Félix, que participa regularmente das assembleias de acionistas da empresa, representa cerca de 3 mil trabalhadores do universo da Portugal Telecom.

«Na nossa visão, há a necessidade de cancelar a assembleia e agendar outra em que se deve decidir se a fusão deve ser desfeita ou não», frisou, acrescentando que a dissolução é o caminho a ser seguido.

Em entrevista à Reuters, o presidente-executivo do banco BPI, Fernando Ulrich, disse que a fusão tinha de ser travada urgentemente, pois é a queda das ações da operadora brasileira que está provocando uma «monstruosa» destruição do valor da empresa portuguesa.

Entretanto, a CMVM suspendeu esta sexta-feira a negociação das ações da Portugal Telecom SGPS até ser divulgada informação relevante. O regulador quer mais informações para que os acionistas da Portugal Telecom SGPS possam tomar uma decisão de forma «ponderada e esclarecida» na assembleia.

Em uma carta, à qual a Reuters teve acesso, António Menezes Cordeiro, presidente da mesa da assembleia de acionistas da Portugal Telecom SGPS, defendeu o fim da fusão, já que a empresa brasileira não cumpriu o contrato de união ao fechar acordo para vender os ativos portugueses à Altice.

O presidente do sindicato concorda com essa visão.

«As decisões sobre a fusão da Oi estão sendo tomadas sob a perspetiva de um projeto que deixou de existir», declarou.

«A Oi quer pura e simplesmente alienar a PT Portugal. Esta situação nunca foi colocada nos acordos originais da fusão e, por isso, defendemos a reversão da operação», ressaltou.

A assembleia está rodeada de incertezas e poderá culminar num impasse, segundo analistas.

A proposta precisa receber aprovação de dois terços dos acionistas presentes, um apoio que, segundo analistas, não está garantido. Um adiamento da votação é outro cenário possível.