A agência de notação financeira Standard & Poor's (S&P) colocou o rating dos bancos nacionais sob vigilância negativa, dois dias depois de ter feito o mesmo com a dívida da República Portuguesa.

Os bancos visados são BCP, CGD, BPI, BES e Santander Totta.

No caso da CGD, BES e BPI, as notações estão atualmente em «BB-», no caso do BCP a nota atribuída é de «B» e no do Santander Totta de «BB».

«Os fatores que nos podem levar a cortar [a classificação] de Portugal também podem ter implicações negativas na nossa visão da capacidade de conceder crédito da indústria bancária portuguesa no geral», explica a agência numa nota emitida esta sexta-feira.

A Standard and Poor's avisa que o rating dos bancos vai muito provavelmente sofrer um corte de «um nível», pelo que também colocou o «rating» de curto prazo da banca em vigilância negativa.

«Acreditamos que há riscos crescentes aos ambiciosos objetivos de consolidação orçamental de Portugal e uma probabilidade maior de não cumprimento do atual programa» de assistência financeira, adianta a S&P.

Entre os riscos que pesam sobre a banca nacional estão a capacidade de implementação das medidas previstas no âmbito da reforma do Estado, que têm sido alvo de chumbos pelo Tribunal Constitucional, mas também «um desempenho económico mais fraco do que o esperado» e o «ressurgimento de tensões políticas».

Todos os fatores combinados, avisa a agência, podem «levar a atrasos no Orçamento de 2014 ou nas revisões ao programa» de assistência financeira.

«Também há um risco crescente de Portugal não reganhar um acesso completo aos mercados de capital no início do próximo ano e de o Governo português pedir um segundo programa de apoio oficial (¿) Além disso, uma alteração na avaliação da sustentabilidade da dívida de Portugal pode aumentar substancialmente a possibilidade de ocorrer alguma forma de reestruturação da dívida comercial», argumenta.

«O risco económico pode aumentar os desafios significativos que o sistema bancário já enfrenta, o que iria provavelmente resultar em perdas de crédito severas para os bancos», conclui.

EDP e REN também sob ameaça

Além da banca, também algumas empresas portuguesas foram alvo de colocação sob vigilância negativa. Foi o caso da EDP e da REN, ambas com rating de «BB+».

A agência explica, segundo um comunicado emitido pela EDP, que a empresa está «exposta» ao risco do próprio país.

A S&P «acredita que a base estável de resultados» da EDP, aliada ao «forte peso de atividades reguladas e contratadas a longo prazo com baixo risco de mercado e de volume, a elevada diversificação geográfica e de negócios e o enquadramento regulatório doméstico estável proporciona resiliência» ao perfil de risco de negócio da empresa, lê-se no comunicado.

Segundo a mesma fonte, o apoio financeiro da China Three Gorges «poderá fornecer alguma resiliência ao perfil de risco financeiro da EDP em condições de mercado e soberanas potencialmente mais severas».

Nos próximos três meses, a agência vai rever o rating da EDP depois de decidir o de Portugal.