A completar 70 anos na próxima semana, Ricardo Salgado deixa a presidência executiva do Banco Espírito Santo, sendo o primeiro presidente do BES a abandonar este cargo em vida e o banqueiro português no ativo há mais tempo em Portugal.

Amílcar Morais Pires escolhido para novo presidente do BES

No cargo há mais de 20 anos, Ricardo Salgado assumiu a primeira vez a presidência executiva do BES em 1991, após a reprivatização, iniciando um percurso que levou ao aumento da quota de mercado de 8% para 20% e à internacionalização do BES.

O BES é hoje o maior banco privado português, em termos do ativo total, superando o concorrente Banco Comercial Português (BCP) no fecho do primeiro trimestre de 2014, e está presente em 23 países e quatro continentes.

Casado e pai de três filhos, Ricardo Espírito Santo Silva Salgado nasceu a 25 de junho de 1944, em Cascais, mas passou os primeiros anos da sua vida em Lisboa, na Lapa, onde viveu.

Estudou numa escola primária pública e, mais tarde, ingressou no Liceu Pedro Nunes.

Em 1969, licenciou-se no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa e cumpriu o Serviço Militar na Marinha de Guerra Portuguesa, no Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval.

Três anos depois, em 1972, entrou para a equipa do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa, primeiro para assumir a direção do Gabinete de Estudos Económicos e mais tarde a Direção de Crédito, onde permaneceu até 1975, aquando da nacionalização do banco.

O banqueiro português lançou-se a partir do Brasil, entre 1976 e 1982, na reconstrução do Grupo Espírito Santo, trabalho a que deu seguimento depois na Suíça, de 1982 a 1991.

Após a reprivatização do banco em 1991, Ricardo Salgado chegava então à presidência executiva do BES. Um ano depois era nomeado «Economista do Ano» pela Associação Portuguesa de Economistas e em 2001 «Personalidade do Ano» pela Câmara Portuguesa de Comércio do Brasil.

Em 2002, foi nomeado para o Supervisory Board da Euronext NV, em Amesterdão, e em 2006 participou na fusão da Euronext com o New York Stock Exchange (NYSE), integrando o conselho como membro não executivo até 2011, tendo ainda sido administrador não executivo do Banco Bradesco (Brasil), de 2003 a 2012.

Até agora, o homem forte do BES é membro do conselho superior do Grupo Espírito Santo, vice-Presidente do conselho de administração e presidente executivo do Banco Espírito Santo. Cargos que acumula ainda com a presidência do conselho de administração da Espírito Santo Financial Group, SA¿Luxemburgo e a presidência do conselho de administração do Banco Espírito Santo de Investimento.

O banqueiro português integra ainda o conselho de administração da Banque Privée Espírito Santo SA¿Lausanne e o conselho de administração de Banque Espírito Santo et de la Vénétie¿Paris.

Ao longo da sua vida, foi várias vezes distinguido, tendo sido condecorado «Chevalier de L¿Orde du Mérite National de France» em 1994 e recebido o «Grau de Grande Oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul», pelo Presidente da República Federativa do Brasil, em 1998.

Em 2005, foi condecorado «Chevalier de la Légion D¿Honneur da República Francesa» e há dois anos, em 2012, «Commander¿s Cross Order of Merit da República da Hungria».

Já no ano passado, em julho de 2013, a Universidade Técnica de Lisboa distingui-o com o doutoramento «honoris causa» por serviços prestados à economia, cultura, ciência e à universidade.