O grupo público russo Gazprom, cujos resultados caíram 7% em 2013 face a 2012, alertou hoje a comunidade financeira para os riscos nos lucros da empresa resultantes da crise da Ucrânia e das sanções do Ocidente contra Moscovo.

Durante a apresentação dos resultados anuais, que atingiram 23 mil milhões de euros em 2013, menos 7% que no ano anterior, o grupo público russo explicou como a pode ser afetado pela atual escalada de violência entre Moscovo e o Ocidente.

As tensões arriscam enfraquecer a economia russa e afetar «a confiança dos investidores em relação à estabilidade económica e política da região e mais geralmente nos investimentos na Rússia», escreve a Gazprom no relatório anual.

A situação pode afundar os preços dos «papéis» Gazprom, incluindo os cotados em Londres, e afetar o acesso da empresa pública russa aos mercados financeiros.

Portanto as sanções do Ocidente contra Moscovo poderão ter «um efeito material» nos resultados do grupo, que vende uma parte importante de produtos, compra equipamentos e detém ativos na Europa, conclui a Gazprom.

A Gazprom está envolvida na crise, já que ameaçou Kiev de

cortar o fornecimento de gás caso o operador ucraniano Naftogaz não regularize as massivas dívidas, com o risco de perturbar os fornecimentos europeus.

A União Europeia (UE), que satisfaz atualmente mais de um quarto das suas necessidades de gás graças à Rússia, procura reduzir a sua dependência e encontrar outras fontes de abastecimento, designadamente na Noruega, África do Norte ou mesmo a longo prazo nos Estados Unidos.

As exportações da Gazprom para a Europa, responsáveis pela maioria dos resultados e que atingiram 174 mil milhões de metros cúbicos de gás em 2013 equivalentes a 33,9 mil milhões de euros, mais 15% que no ano anterior.

As vendas na Rússia, pouco rentáveis, também aumentaram para 794 mil milhões de rublos em 2013, mais 4% que em 2012.

No total, o volume de negócios da Gazprom aumentou 10% em 2013 face ao ano anterior, ao cifrar-se em 5.249 mil milhões de rublos (105 mil milhões de euros).

Mas as vendas para Estados da ex-URSS, dos quais a Ucrânia é o maior comprador, caíram fortemente, ao diminuírem 21% para 420 mil milhões de rublos (8,5 mil milhões de euros).

Antes mesmo da queda do presidente ucraniano Viktor Ianoukovitch em fevereiro último, a Ucrânia e a Rússia mantinham relações tensas, com Kiev a reduzir ao longo de 2013 as caras importações de gás russo para níveis inferiores ao mínimo previsto no contrato.

Aliado a uma série de fatores financeiros desfavoráveis e com despesas de exploração a subirem 5%, a diminuição das vendas na ex-União soviética traduz-se numa segunda redução consecutiva do resultado líquido anual, depois de dez anos de alta que tinham feito da Gazprom o grupo mais rentável do mundo.