Otávio Azevedo e Fernando Magalhães Portella, representantes da Oi, deixaram os cargos no conselho de administração da Portugal Telecom (PT) depois de ser conhecido o investimento de 897 milhões de euros em papel comercial de uma holding do Grupo Espírito Santo (GES), a RioForte.

Azevedo, citado pela Lusa, disse esta quarta-feira ao jornal brasileiro Valor Economico que se sentiu «desconfortável» por ter ficado a saber do investimento no GES pela comunicação social.

«Já tinha planos para deixar o Conselho [de Administração da PT]. Ao me sentir desconfortável por ter tomado conhecimento da operação, que não é pequena, apenas quando foi divulgada por comunicado à imprensa, achei que era hora de sair», afirmou o administrador.

Magalhães Portella também decidiu sair da administração da operadora portuguesa depois de ter tomado conhecimento da renuncia de Otávio Azevedo.

As saídas dos dois gestores foram oficialmente comunicadas pela PT à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) na terça-feira, um dia depois da empresa ter esclarecido as aplicações de tesouraria que tem no GES.

A PT subscreveu 897 milhões de euros em papel comercial da Rioforte com uma remuneração média anual de 3,6%. «Todas as aplicações de tesouraria em papel comercial da RioForte atualmente em carteira têm vencimento em 15 e 17 de julho (847 e 50 milhões de euros, respetivamente)», divulgou a empresa no comunicado assinado pelo presidente Henrique Granadeiro e pelo administrador Luís Pacheco de Melo.

No comunicado, a PT explicou ainda que para além das aplicações em papel comercial, tem alguns depósitos bancários no Banco Espírito Santo num total de 128 milhões de euros.

Desde que o investimento da PT em papel comercial da RioForte foi tornado, na última sexta-feira, as ações das duas operadoras (PT e Oi) desvalorizaram significativamente em bolsa.

A PT fechou a sessão de hoje nos 2,47 euros, o nível mais baixo de há mais de 18 anos, enquanto os títulos preferenciais da sua congénere brasileira encerraram a sessão de terça-feira na bolsa de São Paulo nos 1,81 reais (0,59 euros), o valor mais baixo de sempre.