O regulador de mercado brasileiro suspendeu durante 30 dias a oferta pública de ações da Oi, um dos passos para a fusão da operadora brasileira com a Portugal Telecom, anunciou esta sexta-feira a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A decisão da Comissão brasileira de Valores Mobiliários (CVM), comunicada hoje pela CMVM, foi conhecida na quinta-feira e prende-se com declarações do presidente executivo da PT Portugal e da Oi, Zeinal Bava à imprensa brasileira.

A Oi «vem informar a seus acionistas e ao mercado em geral que, nesta data, recebeu da Comissão de Valores Mobiliários ¿ CVM o Ofício/CVM/SRE/nº129/2014, pelo qual foi informada da suspensão, pelo prazo de até 30 dias, da oferta pública de distribuição primária de ações ordinárias e preferenciais da Oi, cujo pedido de registro se encontra em análise na CVM», lê-se no comunicado da Oi enviado à CMVM.

«A CVM informou que tal decisão deveu-se à publicação de matérias jornalísticas publicadas na data de ontem [26 de março] nos websites Exame.com, R7 Notícias e Estadão.com.br», adianta o comunicado.

A Oi acrescenta que pretende prestar esclarecimentos à CVM com a maior «brevidade possível» e «sanear qualquer eventual irregularidade» para retomar a oferta pública de ações e garante «que tomará todas as medidas necessárias para inibir a ocorrência de factos semelhantes no futuro».

O comunicado, assinado pelo diretor de finanças e relações com investidores, Bayard De Paoli Gontijo, salienta ainda que os investidores e o mercado em geral «não devem considerar as afirmações contidas nas reportagens» saídas na comunicação social para decidirem sobre o investimento na oferta.

O presidente da Oi, Zeinal Bava, afirmou à imprensa brasileira, citado pelo jornal Estado de São Paulo, na quarta-feira que a fusão da empresa com a Portugal Telecom traria «vantagens muito importantes», entre as quais a mudança da companhia para um seguimento de maior transparência da Bolsa de Valores de São Paulo, chamado de Novo Mercado, e a simplificação da estrutura de capital, a mudança da governança da empresa e a capitalização da companhia.

A Portugal Telecom (PT) e a Oi deram, na quinta-feira, um dos últimos passos para a fusão entre as duas empresas com os acionistas a aprovarem o aumento de capital com 99% dos votos.

A fusão entre a PT e a Oi deveria estar concluída entre abril e maio, altura em que decorrerão novas assembleias-gerais de acionistas para a ratificação da operação.

A fusão dará lugar àquela que será a maior operadora lusófona de telecomunicações e uma das 20 maiores do mundo.