Mais dias de férias, viagens gratuitas para trabalhadores e familiares, remédios à borla e até barbearias exclusivas são algumas das regalias dos funcionários das empresas públicas de transportes, segundo um documento do Governo, divulgado esta terça-feira pelo «DN»/«JN».

No caso da Carris, existem «barbearias apetrechadas para uso privativo de todo o seu pessoal, inclusive reformados», lê-se no «JN» citando o acordo da empresa, artigo 69.

Mas há mais: todos funcionários da Carris têm direito a 30 dias de férias por ano - mais do que os 25 dias úteis dos trabalhadores em geral.

Já no Metropolitano de Lisboa, os funcionários têm direito a 24 dias de férias mas, caso o trabalhador decida gozar férias fora do período considerado «normal» - 1 de junho a 30 de setembro - pode ainda ter direito a mais 3 dias de descanso. Contas feitas, podem usufruir também de 30 dias de férias por ano.

Complementos de doença e de reforma

Nestas duas empresas está ainda assegurada por inteiro a assistência medicamentosa. Uma regalia a que se junta o complemento ao subsídio de doença da Segurança Social, pago pelas principais empresas de transportes públicos. E mesmo quando os trabalhadores estão de baixa têm direito a esse complemento.

Segundo o relatório do Governo, que serve como argumento de resposta à greve que os funcionários estão a levar a cabo, na Carris, metro de Lisboa e Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) existe ainda um complemento de reforma, para além do subsídio da Segurança Social, que permite que o trabalhador tenha uma pensão equivalente ao seu último ordenado. Em alguns casos, estas empresas chegam a pagar mais 25% do que o valor que o Estado paga.

Na Carris e no metro de Lisboa este complemento chega a atingir os cinco mil euros por mês.

Viagens gratuitas até para irmãos solteiros

A maioria das empresas oferece, ainda, viagens gratuitas para os funcionários, ex-trabalhadores e familiares. No caso da CP e da Refer os destinatários deste benefício são também os cônjuges, filhos, enteados e irmãos solteiros. Na Refer, o custo desta regalia ascende aos 4 milhões de euros por ano.

Os maquinistas da CP, em alguns casos, têm direito a subsídios compensatórios correspondentes a cerca de 30% do salário mensal, diz o «DN».

Em termos de vencimentos mensais, no metro de Lisboa há subsídio de turno atualizado anualmente no valor de cerca de 59,48 euros/mês, a que acresce um prémio de assiduidade de 68 euros mensais.

Na CP há ainda um prémio de produtividade por cada período completo de trabalho diário.

Os maquinistas da CP estão esta terça-feira em greve, em protesto contra os processos disciplinares interpostos pela empresa pelo incumprimento de serviços mínimos.

Também os trabalhadores do metro começaram à meia-noite uma greve às horas extras, que se prolonga até 31 de março, para contestar o «incumprimento» do acordo da empresa sobre o trabalho extraordinário.

Esta terça-feira, o ministro da Economia disse que, no ano passado, saíram quase 2 mi trabalhadores destas empresas.