O presidente executivo da EDP Renováveis, João Manso Neto, quantificou hoje em 71 milhões de euros o impacto da reforma energética nas contas da empresa, tendo dito que esta irá «travar» os investimentos em Espanha.

«Não estamos de acordo com o modelo [de regulação em Espanha] que foi escolhido. É retrógrado e não é o melhor», disse o gestor, adiantando que, apesar das alterações legislativas, Espanha continua a ser um país chave para a EDP Renováveis, de onde a empresa não pensa sair e onde tem instalados 2.300 megawatts (MW).

João Manso Neto adiantou ainda que a empresa está disponível para dialogar e estará sempre disposta a falar com o Ministério da Indústria, Energia e Turismo, antes que seja decidido, em definitivo, o modelo de regulação para as energias renováveis.

O gestor referiu igualmente que 22% dos megawatts instalados em Espanha foram realizados antes de 2004 e que já anunciou que, apesar da reforma energética, não pensa em fazer despedimentos.

Em virtude dos novos parâmetros propostos pelo governo espanhol para apoiar as renováveis, as instalações eólicas que começaram a funcionar antes de 2005 deixarão de receber subsídios «por terem ultrapassado a rentabilidade razoável».

Neste contexto, o gestor admitiu que se existir a possibilidade de se venderem ativos minoritários em Espanha, o que será ainda estudado, se os investidores não aparecerem é porque não há estabilidade ao nível da regulação.

Para João Manso, perante um ano em Espanha muito complicado, a EDP Renováveis está a reorientar os seus investimentos para os mercados onde a regulação é estável.

A empresa vai focar-se num crescimento seletivo, baseado em projetos compra e venda de eletricidade assinados nos Estados Unidos, um mercado que considerou estratégico para a empresa e onde já assegurou 980 megawatts (MW) para 2014-2016.

Além disso, espera também que se concretizem este ano os primeiros projetos eólicos e solares na Califórnia.

Na Europa, a empresa espera igualmente crescer com baixo risco em Portugal, Itália, França e na Polónia.

Em 2014, a EDP Renováveis prevê crescer 500 MW, a maior parte nos Estados Unidos, mas também na Europa, região que continua a ser um mercado importante e fundamental.

A EDP Renováveis pagou um dividendo de 0,04 euros por ação e espera aumentar a remuneração aos acionistas em função da evolução das receitas.

A empresa registou um lucro de 135,1 milhões de euros em 2013, mais 7% em relação ao exercício anterior, tendo superado as previsões dos analistas.