Os trabalhos de preparação da reconversão do ferryboat Atlântida em navio de cruzeiro de luxo começam na segunda-feira nos estaleiros da West Sea, em Viana do Castelo, disse esta quinta-feira à Lusa o comandante da frota da Douro Azul.

«A partir de segunda-feira vamos começar a trabalhar para o arranque da intervenção que se deverá começar dentro de um mês», afirmou aos jornalistas Hugo Bastos durante uma visita ao navio, após a chegada do navio, hoje de manhã, aos estaleiros da West Sea, em Viana do Castelo.

O navio, agora a décima sétima embarcação da frota do grupo Douro Azul, partiu da base naval do Alfeite, em Almada, às 04:00 da madrugada de quarta-feira e deu entrada na doca dos estaleiros da subconcessionária dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) esta quinta-feira pouco antes das 09:00 da manhã.

Fonte da West Sea afirmou que a entrada da embarcação representa uma «prova» os estaleiros de Viana do Castelo estão a «trabalhar em pleno».

Segundo a mesma fonte, com o Atlântida, a empresa tem atualmente quatro embarcações em reparação, entre elas, o NRP (Navio da República Portuguesa) Figueira da Foz. O segundo Navio de Patrulha Oceânica (NPO) da classe «Viana do Castelo» construído naqueles estaleiros está a ser sujeito a uma intervenção de «assistência pós-venda».

A fonte adiantou também que em novembro a West Sea, empresa criada pelo grupo Martifer para gerir a subconcessão dos ENVC, irá anunciar os primeiros contratos de construção naval.

De acordo com o comandante da frota da Douro Azul, a intervenção de reconversão, orçada em mais de seis milhões de euros, vai prolongar-se durante cerca de 11 meses e vai implicar uma "alteração total" do interior da embarcação.

«O que vai sobrar do Atlântida são as valências que estão boas. Tudo o que não serve para o nosso negócio vai ser desaparecer. O projeto de reconversão em cruzeiro de luxo está a ser ultimado», explicou Hugo Bastos.

Criticou ainda a «da falta de manutenção» a que esteve sujeito o navio durante os últimos três anos em que esteve atracado na base naval do Alfeite à espera de comprador.

«O que é estranho nisto tudo é que o navio nem tinha um certificado de flutuabilidade. Não sei como é que foi possível manter o navio neste estado. Mas deparamo-nos com isso e conseguimos trazê-lo a navegar», sublinhou.

A intervenção deverá estar concluída em outubro de 2015, mês em que a Douro Azul espera que o navio atravesse o Oceano Atlântico em direção ao Brasil, onde tem a sua primeira viagem comercial agendada para 02 de janeiro de 2016.

Anteriormente, o presidente da Douro Azul, Mário Ferreira afirmou que o Atlântida vai mudar de nome e será utilizado para fazer a ligação entre Manaus, no Brasil, e Iquitos, no Peru, com passagem pela Colômbia.