A produção de PPR aumentou 70% nos últimos 12 meses até junho, enquanto os seguros automóveis caíram, com a associação de seguradoras a notar que é a primeira vez que assiste a uma redução do número de veículos em circulação em Portugal.

De acordo com os dados divulgados pela Associação Portuguesa de Seguradoras (APS), em conferência de imprensa, entre junho de 2012 e o mesmo mês deste ano houve um aumento de cerca de 70% da produção de Planos Poupança Reforma (PPR) para 665.613 milhões de euros no final de junho.

Uma evolução que segundo o presidente da APS, Seixas Vale, se justifica por dois motivos. Por um lado, pelo facto de a banca (que comercializa estes produtos) ter hoje menos necessidade de financiamento e captar menos poupanças de clientes para produtos seus, como depósitos, pelo que está «a sugerir mais PPR». Por outro lado, argumentou Pedro Seixas Vale, porque os portugueses sentem necessidade de criar um complemento de reforma às pensões públicas perante «a redução em determinados níveis de pensões».

Já a produção de seguros automóveis caiu cerca de 6% para 772,6 milhões de euros em junho de 2013 face ao mês homólogo, escreve a Lusa.

Seixas Vale explicou que há hoje um «menor número de veículos novos seguros e um número significativo de abates» de carros e refere mesmo que, tendo em conta os dados da APS, esta é a «primeira vez que há redução de número de veículos em circulação em Portugal».

O setor segurador registou lucros de 464 milhões de euros no primeiro semestre, quase o triplo face aos 168 milhões de euros do mesmo período de 2012.

Para os lucros das seguradoras contribuiu uma operação de venda da carteira de Vida risco da seguradora do grupo BES, o que resultou num encaixe de 150 milhões de euros. Em contrapartida, as seguradoras pagaram no primeiro semestre 100 milhões de euros de indemnizações devido aos estragos provocados pelo temporal de 18 e 19 de janeiro.

APS pede estabilidade dos impostos sobre poupança

O presidente da APS aproveitou para pedir ao Governo que não aumente os impostos sobre os produtos de poupança e que estabilize o regime fiscal para não criar incertezas nos investidores.

«Se possível, [o Governo] deverá não aplicar um agravamento fiscal para o setor» no Orçamento do Estado de 2014, afirmou Seixas Vale aos jornalistas.

Além disso, o presidente da APS pediu estabilidade no regime fiscal sobre as poupanças.

«Para o setor segurador, que é sobretudo um gestor de poupanças e intermediário financeiro, o importante seria que não houvesse grandes mudanças na fiscalidade sobre as poupanças. Para quem pensa e poupa a longo prazo, haver instabilidade no regime fiscal é negativo», disse.