A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou prejuízos de 181,6 milhões de euros no primeiro semestre do ano, face às perdas de 12,7 milhões registadas no mesmo período do ano passado, anunciou o banco público em comunicado.

Os resultados de operações financeiras caíram 23,7% para 195,3 milhões de euros e o resultado bruto de exploração caiu 56,6% para 345,2 milhões de euros. O valor não inclui as receitas da compra de dívida própria pela CGD, que deram lucros de 171,9 milhões de euros no primeiro semestre do ano, explica.

As provisões e imparidades foram de 547,2 milhões de euros em junho, numa queda de 24,9% face a junho de 2012, com o banco a destacar o decréscimo em 111,4 milhões de euros das imparidades de crédito líquidas de reversões.

A margem financeira alargada foi de 468,3 milhões de euros, menos 41,7% do que no homólogo.

As comissões líquidas ficaram em 256,1 milhões de euros, menos 0,7% em termos homólogos.

Quanto aos depósitos, na atividade em Portugal, cresceram 0,8% para 54.937 milhões de euros e 2,2% no consolidado para 65.795 milhões de euros.

O crédito consolidado caiu 5,3% para 77.109 milhões de euros e em Portugal cedeu 5,1% para 60.201 milhões de euros.

Por segmentos, o crédito às empresas em Portugal recuou 0,4% entre o fim de 2012 e junho deste ano para 22.690 milhões de euros. Mas a CGD reforçou «as quotas de mercado nos setores mais dinâmicos da economia portuguesa».

Já a carteira de crédito à habitação manteve-se em queda, tendo recuado 3,9% para 31.305 milhões de euros. Ainda no primeiro semestre, foram realizadas 2.815 operações de crédito habitação em Portugal. O número revela uma forte queda face ao que acontecia há poucos anos. Por exemplo, em 2009, foram mais de 40 mil as operações no total do ano.

O grau de cobertura do crédito vencido a mais de 90 dias situou-se em 98,1% em junho de 2013, com o crédito vencido total a fixar-se em 6,7%, acima dos 5,7% do final de 2012.

Os custos operativos do Grupo aumentaram 2,1% em termos homólogos para 814 milhões de euros, com os custos com pessoal a subirem 7% para 464 milhões de euros. Já os outros gastos administrativos e as depreciações e amortizações baixaram 3% e 7,1%, respetivamente (para 279 milhões de euros e 70 milhões de euros).

A CGD terminou junho com um rácio de transformação de depósitos em crédito de 110,5%. Quanto ao rácio core tier 1, desceu ligeiramente para 11,3% de acordo com os critérios do Banco de Portugal e 9,2% segundo as regras mais exigentes da Autoridade Bancária Europeia (EBA na sigla em inglês).

A Caixa Seguros e Saúde teve lucros de 75,9 milhões de euros no primeiro semestre, um resultado para que contribuiu a venda dos HPP Saúde por 36,4 milhões de euros.

Em Espanha, a CGD teve prejuízos de 90,4 milhões de euros. No total, a área internacional do grupo teve prejuízos de 54,6 milhões de euros até junho mas, sem a atividade no país vizinho, teria sido positivo em 35,8 milhões de euros.