As exportações portuguesas de calçado impermeável e de plástico aumentaram 92% nos primeiros seis meses do ano, somando nove milhões de pares no valor de 55 milhões de euros, segundo dados da associação setorial.

De acordo com a Associação dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), escreve a Lusa, «já são muitas as marcas portuguesas a investir neste segmento de mercado, cada vez mais procurado, principalmente pelas clientes femininas».

Exemplo disso são as marcas nacionais Cubanas, Cohibas e Lemon Jelly, que produzem desde galochas a sapatos e sandálias, estando esta última no mercado há cerca de um ano.

Detida pela empresa Procalçado, de Vila Nova de Gaia, a Lemon Jelly decidiu investir numa linha de calçado injetável, após 40 anos dedicada a produzir solas e componentes para calçado.

«Foi um processo muito simples e relativamente natural, uma vez que já dominávamos a tecnologia há muitos anos. Penso que a injeção foi o passo seguinte: da sola ao calçado tivemos apenas de desenvolver moldes mais complexos», afirmou o empresário José Pinto ao jornal da APICCAPS, cuja edição de setembro foi hoje divulgada.

Considerando que «o passo mais lógico foi continuar a apostar neta área de negócio de uma forma sustentada», José Pinto disse acreditar que conseguiu «trazer algo de novo para o mercado».

Recentemente, em declarações à agência Lusa durante a feira de calçado MICAM, em Milão, o empresário de Gaia adiantou já exportar atualmente 70% do que produz, assumindo como objetivo «pôr em todo o mundo» os seus sapatos totalmente feitos em plástico.

«Atualmente estamos em mais de 15 países, desde a Ásia (China, Japão e Coreia) ao continente americano (Canadá e EUA), Europa e África do Sul e vamos começar na Austrália», afirmou então José Pinto.

Com 350 trabalhadores, 100 dos quais contratados no último ano, e presente em mais de 100 pontos de venda, a Procalçado prevê continuar a recrutar, dado o inesperado ritmo de crescimento da nova marca, que produz sapatos, sandálias e galochas recorrendo apenas à injeção de plástico.

«Ao longo destes últimos 10 anos tenho sentido que esta área tem ganho espaço no mercado, O consumidor está muito mais alerta para novos projetos e este processo já não é visto com estranheza, mas sim como um material com outro nível de qualidade e com outras tecnicidades», sustentou.

Segundo a APICCAPS, o calçado de plástico «apareceu pela primeira vez no Brasil, nos anos 90, destinado às classes sociais mais baixas, mas rapidamente se tornou um bem apreciado por todos».

«Literalmente na moda» e, aparentemente, uma moda que «veio para ficar», a linha de artigos de plástico já se expandiu mesmo do calçado para os acessórios de moda, estando hoje disponível uma linha completa de «artigos ‘fashion’ exclusivamente de plástico».