Cerca de 300 pequenas empresas sediadas na zona de Portalegre, no Alto Alentejo, encerraram a atividade em 2015, revelou hoje à agência Lusa o presidente do núcleo empresarial da região, Jorge Pais.

De acordo com o dirigente associativo, os pequenos negócios, como bares, salões de cabeleireiro, boutiques e mercearias, as empresas familiares e as microempresas foram as áreas mais afetadas, num distrito em que o tecido empresarial é “bastante débil” e o mercado é “diminuto”.

“Numa região como a de Portalegre, com os constrangimentos que tem, o encerramento destes pequenos negócios têm outro impacto, sente-se muito mais do que em zonas onde há mais alternativas e mais dinâmica económica”, disse o presidente do Núcleo Empresarial da Região de Portalegre (NERPOR).

Lamentando o encerramento de várias empresas e a subida do número de desempregados na zona, Jorge Pais considerou que, em 2015, a situação económica do distrito de Portalegre “estagnou, se é que não retrocedeu”.

“Há anos que nós vimos clamando para a necessidade de haver medidas específicas para estas zonas do interior do país, medidas que ajudem a dinamizar as economias regionais e que deem outra competitividade”, defendeu.

Considerando que situação da zona de Portalegre constitui um “caso gritante”, devido à falta de “massa crítica”, o presidente do NERPOR defendeu que o distrito necessita de um “empurrão” para sair da posição em que se encontra.

“Portalegre é uma capital de distrito que tem vindo a decrescer em população, ao contrário das outras. Atualmente, a cidade tem 15 mil habitantes, o que não dá para comparar, por exemplo, com Castelo Branco, que tem mais do dobro, ou com a Guarda, que tem o triplo”, disse.

Para tentar inverter a situação e "impulsionar o investimento", o NERPOR vai avançar este mês com um Centro de Empreendedorismo do Alentejo para incentivar os empresários que já estão instalados na região, mas, principalmente, todos aqueles que queiram criar a sua própria empresa.

“Nós vamos avançar no início deste ano com o centro e esperamos enquadrar o projeto numa candidatura a fundos comunitários, que nos possa proporcionar outros recursos financeiros e materiais para dar outra solidez e outro alcance a esta iniciativa”, disse.

Através do centro, vocacionado para “pequenos projetos empresariais”, o NERPOR espera dar aos empresários, que queiram investir na região, ferramentas que permitam que as suas empresas possam ter viabilidade e durabilidade.

“Nós temos uma bolsa de ideias, de pequenos projetos, podemos ajudar as pessoas a instalarem-se e dar-lhes assistência para que não sejam negócios que ao fim de pouco tempo estejam sem solução”, disse.