O economista José Poças Esteves acredita que a situação no Banco Espírito Santo (BES) «está controlada» e que a instituição financeira está «blindada» para fazer face à exposição aos negócios do Grupo Espírito Santo (GES).

José Poças Esteves, que falava à margem da apresentação do relatório trimestral da SaeR (Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco), não se mostrou surpreendido com as notícias que envolveram o BES nos últimos tempos.

«Bastava estar um pouco atento. Já se sabia que existia uma exposição enorme do BES ao Grupo Espírito Santo. A dificuldade estaria em [saber] onde terminavam os negócios do grupo e começavam os negócios do banco», vincou.

O presidente da SaeR salientou que é preciso «não entrar em desespero» porque o sistema está a funcionar.

«Aquilo que devia ter acontecido está a acontecer, as ações que deviam ter sido tomadas foram tomadas», nomeadamente a separação dos negócios do banco dos da família e a criação de «barreiras» e condições para gerir os negócios do banco.

«Temos de confiar naquilo que os auditores disseram, que os ativos e os passivos são o que são e que a situação está controlada», frisou o mesmo responsável, destacando que o novo presidente executivo do BES, o economista Vítor Bento, «é um homem consciente» e que se deve ter inteirado sobre a «verdadeira situação dos ativos e passivos do banco» antes de aceitar o cargo.

Para o presidente da SaeR existem garantias «quer dos auditores que fizeram a análise, quer do próprio Banco de Portugal» que tem estado a supervisionar e acompanhar todo o processo de que o banco está «blindado» e tem as garantias necessárias para fazer face à exposição ao GES.

Poças Esteves sublinhou, por outro lado, que o último relatório da SaeR confirma que há problemas de crescimento na economia mundial e defendeu uma maior cooperação entre blocos económicos: «Há um reajustamento de blocos económicos, há um reajustamento de poderes económicos que ainda não está feito e tem de haver maior cooperação entre as políticas dos países emergentes e as dos países desenvolvidos».

No caso de Portugal, sugere menos dependência em relação à Europa e um maior recurso a «fatores de compensação» que passam pelo «bloco lusófono» e pelo bloco chinês, através de Macau.