A Pescanova divulgou esta terça-feira as linhas gerais da proposta de convénio de credores apresentada pelos principais acionistas e que prevê um haircut de entre 60 e 90% da dívida, segundo informou à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV).

O convénio, apresentado pelos acionistas Damm e Luxempart, dá aos credores bancários do grupo várias alternativas, que incluem instrumentos de capital que acabarão por «diluir» a atual composição acionista.

A proposta foi remetida já ao tribunal mercantil de Pontevedra, onde está o processo de concurso de credores, e hoje foi dada a conhecer ao mercado.

Case esta operação avance, será criada uma nova sociedade, a Nueva Pescanova, onde se agruparão todos os ativos da Pescanova, sendo que a atual empresa terá como único ativo 4,99% do capital da nova empresa.

Esta nova sociedade será capitalizada pelos principais acionistas Damm y Luxempart (injetarão 15,5 milhões de euros), pelos credores (25 milhões de euros)e por outros acionistas da empresa (22 milhões de euros).

Damm e Luxempart ficarão com pelo menos 30% do capital e os credores bancários com pouco menos de 35%.

Ao mesmo tempo, a Nueva Pescanova pedirá um crédito de 112,5 milhões de euros, com cariz preferente sobre qualquer outro instrumento de dívida e que será subscrito pelo consórcio (30%) e pelos outros credores (70%).

Para a empresa, a oferta do convénio, com o apoio da banca credora, garante a continuidade da empresa com sede na Galiza, e dona de uma unidade em Mira.

«Confirma-se assim a situação favorável em alcançar um convénio de credores que obtenha o apoio necessário para eliminar definitivamente o risco de liquidação que pesava sobre a multinacional», refere o grupo, citado pela Lusa.

Francisco Conde, conselheiro de Economia e Industria do Governo regional galego, mostrou já «otimismo» pela apresentação da oferta, considerando que permite falar «de uma nova etapa» na empresa pesqueira.

Apesar disso, Conde considerou que é necessário ser «prudente».